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Banco De Moçambique Mantém Taxa MIMO Em 9,25% E Reforça Postura Prudente Perante Riscos Inflacionistas

Resumo

O Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária em 9,25%, devido aos riscos e incertezas associados à inflação, provocados por choques externos e internos. A instabilidade global, devido ao conflito no Médio Oriente, pressiona os preços dos produtos energéticos e alimentares, levando a uma revisão em alta das perspectivas inflacionistas. Apesar da economia moçambicana mostrar sinais de recuperação, com um crescimento do PIB de 4,7% no último trimestre de 2025, as perspectivas apontam para um crescimento mais moderado. A dívida pública interna e os atrasos nos pagamentos pelo Estado continuam a representar riscos significativos. O Banco de Moçambique adota uma postura de "espera ativa" na sua política monetária, ajustando-a de acordo com os riscos e incertezas presentes.

O Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária (MIMO) em 9,25%, dando continuidade à pausa no ciclo de redução iniciada na sessão anterior do Comité de Política Monetária.A decisão reflecte o agravamento dos riscos e incertezas associados às perspectivas de inflação, num contexto marcado por choques externos e fragilidades internas que condicionam a evolução da economia.Mais do que uma mudança de orientação, o posicionamento actual confirma uma estratégia de prudência já adoptada, agora reforçada perante um ambiente macroeconómico mais exigente.O principal factor de risco identificado pelo banco central reside no contexto internacional.A eclosão do conflito no Médio Oriente está a afectar as cadeias logísticas globais e a pressionar os preços dos produtos energéticos e alimentares, levando à revisão em alta das perspectivas inflacionistas.A incerteza quanto à duração e intensidade destes efeitos mantém-se elevada, criando um ambiente de difícil previsibilidade para a condução da política monetária.Os dados mais recentes confirmam a tendência de subida da inflação.Em Fevereiro de 2026, a inflação anual atingiu 3,2%, acima dos 3,0% registados em Janeiro, enquanto as projecções apontam para um aumento adicional no curto e médio prazo.Este movimento reflecte não apenas factores externos, mas também choques internos, nomeadamente os impactos das inundações recentes sobre a produção e distribuição de bens.Apesar das pressões, a economia moçambicana apresenta sinais de recuperação.O Produto Interno Bruto cresceu 4,7% no quarto trimestre de 2025, após uma contracção no período anterior, evidenciando uma melhoria generalizada da actividade económica.No entanto, as perspectivas apontam para um crescimento mais moderado, condicionado por factores internos e pelo abrandamento da economia global.No plano doméstico, a evolução da dívida pública interna continua a representar um factor de risco relevante.O stock da dívida interna atingiu 487,3 mil milhões de meticais, registando um aumento significativo, enquanto persistem atrasos nos pagamentos por parte do Estado.Estes atrasos afectam directamente o funcionamento do mercado financeiro, reduzindo a confiança dos investidores e contribuindo para a rigidez das taxas de juro.A decisão do banco central sinaliza uma política monetária em “modo de espera activa”.Por um lado, há necessidade de conter pressões inflacionistas;
por outro, existe o risco de travar a recuperação económica.Neste equilíbrio delicado, o Banco de Moçambique opta por manter a taxa inalterada, condicionando futuras decisões à evolução dos riscos e incertezas.A manutenção da taxa MIMO confirma que a economia moçambicana entrou numa nova fase, caracterizada por maior incerteza e menor margem de manobra para estímulos monetários.A combinação de factores externos — energia, geopolítica — e internos — dívida, choques climáticos — cria um ambiente mais exigente para os decisores económicos.Mais do que sinalizar uma trajectória clara de subida ou descida de taxas, o banco central passa a actuar de forma mais reactiva, ajustando a política monetária em função da materialização dos riscos.Neste novo contexto, a evolução da inflação e do ambiente externo serão determinantes para definir os próximos passos da política monetária em Moçambique.

Fonte: O Económico

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