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Chuva Intensa Exibe Fragilidades da Drenagem Urbana em Maputo e Mobiliza Resposta do Município

Resumo

Uma tempestade em Maputo causou a queda de árvores, danos em infraestruturas e arrastamento de solos, levando o presidente do município a exigir mais rapidez nas obras de drenagem pluvial. Os estragos visíveis incluem árvores caídas na Avenida 25 de Setembro e na Avenida da Marginal, danos em edifícios e deslizamentos de solos na Avenida Vladimir Lenine. O presidente do município, Rasaque Manhique, pediu uma intervenção imediata para reforçar as estruturas já intervencionadas e acelerar o ritmo das obras, evitando atrasos. Apesar do alarmismo gerado pelas imagens de deslizamento de solos, o município esclareceu que não houve inundações generalizadas na zona baixa da cidade, atribuindo os danos ao arrastamento de solos.

Tempestade provoca queda de árvores, danos em infra-estruturas e arrastamento de solos na capital, enquanto edil exige maior celeridade nas obras de drenagem pluvial.

Mau tempo deixa marcas visíveis na capital

Passadas cerca de 24 horas após a forte precipitação que atingiu a cidade de Maputo na tarde de sábado, continuam visíveis sinais de destruição e constrangimentos em vários pontos da capital moçambicana.

Na esquina entre a Avenida 25 de Setembro e a Avenida 10 de Novembro, uma árvore tombou devido à intensidade da chuva e do vento, condicionando a circulação rodoviária numa das artérias mais movimentadas da cidade. Situação semelhante foi registada na Avenida da Marginal, onde uma estrutura de publicidade não resistiu às condições meteorológicas adversas e acabou por cair.

Também na zona baixa da cidade foram registados danos em infra-estruturas, incluindo um edifício aparentemente abandonado que sofreu danos parciais em consequência da precipitação intensa acompanhada por ventos fortes.

Imagens que circularam nas redes sociais mostraram ainda água a escorrer com grande intensidade e sinais de deslizamento de solos na Avenida Vladimir Lenine, um dos pontos onde os efeitos da chuva foram particularmente visíveis.

No dia seguinte ao temporal, montes de areia acumulados ao longo da via continuavam a marcar o cenário naquela avenida, tendo algumas viaturas ficado parcialmente soterradas pelo arrastamento de sedimentos, transformando temporariamente a estrada asfaltada numa espécie de zona arenosa.

Município reforça intervenção e exige maior ritmo nas obras

Face à situação, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, deslocou-se ao local para avaliar os danos e acompanhar os trabalhos em curso nas obras de instalação de colectores de águas pluviais.

Durante a visita, o autarca apelou a uma intervenção imediata nos pontos já intervencionados, de modo a reforçar as estruturas e evitar que novos episódios de chuva agravem os danos existentes.

“Temos de ser proactivos. Precisamos de intervir imediatamente nos pontos onde já se trabalhou para reforçar as estruturas e evitar novos danos”, afirmou o edil durante a visita ao local.

Rasaque Manhique sublinhou ainda a necessidade de acelerar o ritmo das obras para evitar atrasos no calendário previamente estabelecido.

“Neste momento temos de redobrar a acção. Se for necessário trabalhar ao longo da semana e também ao fim-de-semana, teremos de o fazer, para garantir que os prazos não sejam constantemente alargados”, acrescentou.

O presidente do município visitou igualmente os trabalhos de drenagem na Avenida Guerra Popular, outro ponto onde as chuvas provocaram constrangimentos à circulação.

Arrastamento de solos gera alarmismo sobre inundações

Apesar das imagens que circularam nas redes sociais, o município esclareceu que não houve registo de inundações generalizadas na zona baixa da cidade.

Segundo o autarca, a situação verificada resultou sobretudo do arrastamento de solos provocado pela intensidade da precipitação.

“Há um falso alarme sobre inundações na Baixa. O que houve, na verdade, foi arrastamento de solos provocado pela força da chuva”, explicou Rasaque Manhique.

O edil destacou também a intervenção rápida das equipas municipais de saneamento, que actuaram na desobstrução de sarjetas e pontos de drenagem afectados pela acumulação de terra e resíduos.

“Não se trava a natureza com as mãos, mas a nossa empresa municipal de saneamento interveio de imediato, identificando sarjetas e pontos de drenagem que tinham sido obstruídos por solos e também por resíduos”, referiu.

Durante a visita de trabalho, o autarca exigiu ainda a correcção de determinados trabalhos realizados, de forma a garantir maior qualidade nas infra-estruturas e melhor desempenho do sistema de drenagem urbana.

Aviso meteorológico mantém sul do país em alerta

O episódio de mau tempo surge num contexto de instabilidade meteorológica que afecta várias províncias do sul do país.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um aviso amarelo alertando para a possibilidade de ocorrência de chuvas moderadas a localmente fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas, sobretudo nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.

De acordo com o instituto, os níveis de precipitação poderão variar entre 30 e 50 milímetros num período de 24 horas, podendo provocar novos constrangimentos nas zonas mais vulneráveis.

As áreas de maior risco incluem vários distritos da província de Maputo, incluindo a cidade da Matola e a capital, bem como 13 distritos da província de Gaza e cinco distritos de Inhambane.

Impactos climáticos continuam a pressionar Moçambique

Moçambique continua a figurar entre os países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando ciclicamente episódios de cheias, tempestades e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que se estende normalmente entre Outubro e Abril.

Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a actual época chuvosa já provocou 263 mortes e afectou cerca de 869 mil pessoas, correspondentes a mais de 200 mil famílias em diferentes regiões do país.

Apenas as cheias registadas em Janeiro resultaram em 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando mais de 724 mil pessoas.

Num contexto de crescente variabilidade climática, episódios como o registado em Maputo voltam a colocar em evidência a necessidade de reforçar os investimentos em infra-estruturas urbanas resilientes, sistemas de drenagem eficientes e mecanismos de prevenção de riscos climáticos nas cidades moçambicanas.

Fonte: O Económico

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