Resumo
A subida do petróleo acima dos 100 dólares leva investidores a procurar ativos seguros, impulsionando o dólar e pressionando o euro, a libra e moedas asiáticas. A escalada das tensões no Médio Oriente provocou volatilidade nos mercados cambiais, com o dólar a valorizar-se face a outras moedas. O euro e a libra atingiram mínimos de vários meses, enquanto moedas como o franco suíço também registaram perdas. O fortalecimento do dólar está relacionado com o impacto económico da escalada militar e do choque energético. Economias asiáticas podem ser particularmente afetadas pela subida dos preços da energia devido à dependência de importações do Médio Oriente. A inflação mais alta pode adiar cortes nas taxas de juro, alterando as expectativas de política monetária global. A incerteza geopolítica, o dólar forte, os preços do petróleo e a volatilidade dos mercados financeiros podem ser determinantes na economia global em 2026.
Investidores refugiam-se no dólar perante incerteza global
Os mercados cambiais globais registaram forte volatilidade no início da semana, com o dólar norte-americano a valorizar-se significativamente à medida que investidores procuraram activos considerados mais seguros face à escalada das tensões no Médio Oriente.
Segundo dados reportados pela Reuters, a valorização do dólar ocorreu num contexto de forte subida dos preços do petróleo, que ultrapassaram a fasquia dos 100 dólares por barril, aumentando os receios de perturbações no fornecimento energético global.
A procura por liquidez e activos de refúgio levou a uma venda generalizada de outros activos financeiros, incluindo acções, obrigações e metais preciosos.
Euro e libra recuam para mínimos de vários meses
A valorização da moeda norte-americana pressionou várias moedas internacionais.
O euro caiu cerca de 0,9%, para 1,1517 dólares, depois de ter atingido o nível mais baixo em três meses e meio durante a sessão.
A libra esterlina recuou aproximadamente 1%, para 1,3294 dólares, enquanto outras moedas tradicionalmente consideradas refúgio, como o franco suíço, também registaram perdas face à moeda norte-americana.
Entre as moedas do bloco asiático e do Pacífico, o dólar australiano e o dólar neozelandês registaram quedas de 0,77% e 0,5%, respectivamente.
Choque energético ameaça estabilidade macroeconómica
Analistas consideram que o fortalecimento do dólar está directamente ligado ao impacto económico da escalada militar e ao choque energético associado.
Ray Attrill, responsável de estratégia cambial do National Australia Bank, sublinhou que o dólar continua a beneficiar do seu estatuto tradicional de activo de refúgio, bem como do facto de os Estados Unidos serem actualmente um exportador líquido de energia, ao contrário de muitas economias europeias.
Este factor reforça a atractividade da moeda norte-americana em períodos de forte incerteza geopolítica.
Economias asiáticas podem enfrentar maior impacto
Analistas alertam que as economias asiáticas poderão ser particularmente afectadas pela subida dos preços da energia.
A região depende fortemente das importações de petróleo e gás provenientes do Médio Oriente, o que a torna mais vulnerável a choques de oferta.
Deepali Bhargava, responsável regional de investigação do ING para a Ásia-Pacífico, afirmou que a duração e a intensidade da crise energética serão determinantes para avaliar o impacto económico.
“A verdadeira questão é saber até que ponto e durante quanto tempo os preços permanecerão elevados, pois é isso que determinará a dimensão do impacto económico”, afirmou a analista.
Inflação pode atrasar cortes nas taxas de juro
O choque energético está também a alterar as expectativas em torno da política monetária global.
Preços mais elevados da energia tendem a pressionar a inflação, podendo obrigar bancos centrais a manter taxas de juro elevadas por mais tempo.
Dados de mercado citados pela Reuters indicam que os investidores estão agora a prever menos de 40 pontos base de cortes nas taxas de juro nos Estados Unidos até ao final do ano, reduzindo significativamente as expectativas de flexibilização monetária.
Num contexto de elevada incerteza geopolítica, o fortalecimento do dólar, a subida dos preços do petróleo e a volatilidade dos mercados financeiros poderão tornar-se factores centrais na evolução da economia global ao longo de 2026.
Fonte: O Económico






