Resumo
Há recorrentes queixas sobre mau atendimento nos hospitais públicos de Maputo e noutras cidades moçambicanas, com denúncias de longas esperas, priorização de conhecidos pelos funcionários e falta de recursos. O desgaste dos profissionais e a sobrecarga de trabalho têm contribuído para a desumanização do atendimento, levando a prescrições apressadas de medicamentos sem exames prévios. Surgem apelos para a criação de uma comissão de inquérito para investigar tais casos. Além disso, há relatos de desaparecimento de recém-nascidos em maternidades públicas, suscitando preocupações sobre tráfico e violência obstétrica, com mães a reclamarem da falta de equipamentos e tratamento desumano. O Ministério da Saúde tem reiterado a política de tolerância zero ao mau atendimento, mas casos alarmantes persistem.
Por: Shiloh Sele
Nos hospitais públicos da cidade de Maputo, têm sido recorrentes as reclamações sobre o mau atendimento. Este cenário não tem sido recorrente apenas a nível da cidade de Maputo, pois são várias as denúncias provenientes de cidades como Nampula, Beira, Tete, Inhambane, Quelimane, entre outras.
Onde alguns cidadãos têm denunciado que, para serem atendidos, têm passado muito tempo de espera e, por vezes, não são atendidos. E não só: afirmam que os funcionários têm priorizado seus conhecidos, ignorando os que estão na fila de espera há muito tempo.
Por vezes, o mau atendimento tem-se agravado por conta do desgaste dos próprios profissionais, da sobrecarga de trabalho e da falta de recursos nos hospitais públicos, muitas vezes resultando em desumanização do atendimento, prejudicando a relação médico-paciente.
E em casos de doentes que se queixam de algum mal-estar, os médicos sempre receitam medicamentos, tais como o paracetamol, sem antes realizar qualquer exame, demonstrando certa urgência com o intuito de acelerar o atendimento. Comportamento esse que advém da sobrecarga de trabalho.
Desta feita, torna-se necessário combater este problema, criando-se uma comissão de inquérito para averiguar os alegados casos de mau atendimento.
Outra questão inquietante é o desaparecimento de recém-nascidos em maternidades públicas, o que, por sua vez, acaba levantando suspeitas de tráfico e de violência obstétrica.
Onde, no sector da maternidade, muitas mães têm reclamado por falta de equipamentos para o parto, até mesmo de camas para se acomodarem. Denunciando que, por vezes, são orientadas a voltar para casa, com a afirmação de que ainda não chegou a hora de dar à luz. Elas são tratadas de qualquer maneira como se de um objecto se tratasse.
Mães que sofreram violência obstétrica em maternidades públicas relatam falta de informação sobre os procedimentos médicos realizados durante o parto.
As alegações incluem a negação do direito de reclamar os corpos dos seus bebés recém-nascidos declarados mortos, o que reflecte casos preocupantes já reportados pela imprensa moçambicana.
Contudo, em várias conferências de imprensa, o Ministério da Saúde reiterou a sua política de tolerância zero ao mau atendimento nas unidades sanitárias.






