A reunião insere-se no quadro das acções de monitoria, coordenação e mobilização de recursos desencadeadas pelo Estado para responder aos efeitos das cheias, proteger vidas humanas e assegurar
condições mínimas de dignidade às populações afectadas pelas intempéries, sobretudo nas regiões Centro e Sul de Moçambique.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado explicou o objectivo do encontro, sublinhando a importância do alinhamento de informação e do envolvimento de todos os actores na resposta à crise. “Achei que era importante chamar, de forma a ter uma informação do nível em que nós nos encontramos, e também estarmos a par da informação oficial sobre os danos que estas cheias e inundações estão a causar no nosso país, e, em função disso, cada um de nós, poder ver o que pode fazer”, afirmou.
O Presidente da República defendeu a necessidade de uma actuação conjunta e permanente, enfatizando que a prioridade absoluta do Governo, neste momento, é a protecção da vida humana. “Achamos que isto é extremamente importante estarmos em todos os momentos unidos de forma que possamos minimizar os danos que estas cheias e inundações estão a causar. Neste momento, a nossa prioridade é salvar vidas”, declarou.
O estadista alertou que a situação no terreno continua crítica, com impactos severos em infra-estruturas estratégicas e na mobilidade das populações, destacando a interrupção de troços da Estrada Nacional Número Um. “Estamos num momento em que a ocorrência das cheias e inundações ainda está a acontecer e está a causar danos enormes em todo o país, por isso que a estrada Nacional Número Um está interrompida em certos troços”, disse.
Para garantir a circulação de pessoas e bens essenciais, informou que o Governo está a recorrer a soluções alternativas, incluindo a ligação aérea entre as regiões afectadas. “Estamos a fazer a ponte aérea
para ligar de Maputo a Xai-Xai pelo Aeroporto Internacional de Chongoene, mas também para Inhambane, Vilankulo, com preços de voos especiais e promocionais de forma que as pessoas possam conseguir fazer esta ponte aérea”, precisou.
O Presidente alertou ainda para os riscos sanitários nos centros de acolhimento, onde se encontram milhares de deslocados, sublinhando a urgência de garantir assistência básica. “Estas cerca de 91.000 pessoas estão em 68 centros de acolhimento, que são escolas, principalmente, salas de aula, e é muita gente no mesmo sítio, podendo haver até eclosão de doenças hídricas, como a cólera, a malária, a diarreia, e as pessoas perderem a vida depois de serem salvas”, advertiu.
Face a este cenário, apelou ao reforço da solidariedade nacional, incentivando o Sector Privado a contribuir não apenas financeiramente, mas também com bens essenciais. “Então, teremos que encontrar comida para alimentá-las, temos que encontrar medicamento, temos que encontrar água. Queria também sensibilizar a outra forma de mobilização: não queremos só dinheiro, queremos também bens não perecíveis, aqueles que conseguirem comida, conseguirem roupa”, afirmou, apelando a um movimento solidário ao nível das empresas e dos cidadãos.
Na ocasião, a Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, apresentou dados provisórios que indicam que a época chuvosa, iniciada a 1 de Outubro de 2025, já afectou cumulativamente 645.781 pessoas, correspondentes a 122.863 famílias, tendo igualmente resultado em 112 óbitos, 99 feridos e três desaparecidos, além de danos significativos
em habitações, infra-estruturas sociais e económicas, áreas agrícolas e meios de subsistência, mantendo-se activos 68 centros de acomodação, que acolhem mais de 91 mil pessoas, enquanto prossegue a recolha e actualização da informação no terreno.
Fonte: O País






