Portanto, o Conselho de Ministros aprovou a criação da chamada Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Setor Petrolífero.
Na prática, trata-se de uma nova taxa direcionada às empresas ligadas ao petróleo bruto e à refinação que tenham registado lucros substancialmente acima da média dos últimos anos.
Assim, num momento em que os preços dos combustíveis continuam a castigar a carteira dos portugueses e as gasolineiras apresentam resultados financeiros astronómicos, a medida surge com a bandeira da justiça social.
No entanto, para quem acompanha a gestão das políticas energéticas em Portugal, a ceticismo é inevitável. Vender este imposto com o rótulo de “solidariedade” soa mais a um exercício de relações públicas do que propriamente a uma solução estrutural para o custo de vida.
A ideia aqui é “sacar” mais dinheiro. Isto a não ser que o novo imposto possa ser cortado de outras formas, que por sua vez ajudem o consumidor a pagar menos à boca da bomba.

Ao que tudo indica, a receita cobrada a estes lucros excedentários terá duas missões principais:
A teoria é muito bonita, mas a história recente ensina-nos a ter cautela. Taxar lucros extraordinários sem criar mecanismos eficazes de controlo de preços nos postos de abastecimento resulta muitas vezes no mesmo ciclo… A fatura fiscal acaba por ser indiretamente passada para o consumidor final, seja pela manutenção de margens elevadas ou por ajustes subtis na distribuição.
Ou seja, para manter o dinheiro a entrar, o preço para o consumidor final tende a aumentar.
Em Portugal, poucas coisas duram tanto tempo como as taxas temporárias. Em vez de atacar a carga fiscal sufocante que já incide sobre cada litro de combustível atestado na bomba, como o ISP e o IVA, o Estado opta por criar mais uma camada tributária e redistribuir a receita à sua discrição.
Resta saber se estes apoios às famílias vão realmente chegar a quem precisa a tempo de aliviar o impacto no orçamento diário, ou se a nova contribuição servirá apenas para engrossar o cofre do Estado enquanto os preços nos painéis das bombas continuam em alta.
Fonte: Zero Zero






