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Mozambique LNG Project Deverá Iniciar Operações Em 2029 Após Longa Suspensão – Nikkei

Projecto operado pela TotalEnergies, com participação estratégica da Mitsui, entra numa fase decisiva de retoma condicionada pela segurança, auditoria de custos e redefinição do calendário de execução.

O projecto Mozambique LNG, um dos maiores investimentos privados alguma vez anunciados no país, deverá iniciar operações de produção e exportação de gás natural liquefeito (GNL) em 2029, segundo informação avançada pelo jornal económico japonês Nikkei. A nova projecção surge após vários anos de suspensão motivada pela deterioração da situação de segurança na província de Cabo Delgado, colocando o empreendimento numa fase crítica de transição entre a força maior e a retoma efectiva das obras em escala total.

Um Projecto Central Para A Estratégia Energética

Localizado na Área 1 da Bacia do Rovuma, no norte de Moçambique, o Mozambique LNG Project é operado pela TotalEnergies e conta com a participação de vários parceiros internacionais, incluindo a Mitsui & Co., que detém uma participação accionista através das suas joint ventures. A empresa japonesa esteve envolvida desde as fases iniciais de exploração e das decisões de desenvolvimento, reforçando o carácter estratégico e de longo prazo do seu investimento.

Inicialmente previsto para entrar em operação em 2024, o projecto foi abruptamente suspenso em 2021, na sequência do agravamento da violência armada em Cabo Delgado, que culminou em ataques próximos da zona de Afungi, onde se localiza o complexo industrial. A declaração de força maior levou à interrupção das obras e à retirada da maioria do pessoal e dos empreiteiros internacionais.

Da Força Maior À Retoma Planeada

Segundo o Nikkei, a melhoria gradual das condições de segurança na região cria agora condições para o levantamento da força maior, permitindo a retoma da construção em escala total e a progressão do projecto rumo à fase operacional. No entanto, a retoma está longe de ser automática.

O Governo moçambicano exigiu à operadora a apresentação de um plano detalhado de reinício, incluindo cronograma actualizado, condições de segurança, mobilização de empreiteiros e reactivação das cadeias logísticas. Em paralelo, decorre o processo de auditoria independente aos custos incorridos durante o período de suspensão.

Custos Acrescidos E Negociação Com O Estado

A suspensão prolongada teve impacto directo sobre a estrutura financeira do projecto. A operadora estimou um aumento de custos na ordem dos 4,5 mil milhões de dólares, valor que está no centro das negociações com o Estado moçambicano. Entre os pontos em discussão encontra-se a eventual extensão do período de produção, como forma de compensar os atrasos e os encargos adicionais acumulados durante os anos de paralisação.

Estas negociações assumem particular sensibilidade, num contexto em que o Governo procura salvaguardar os interesses fiscais e económicos do país, enquanto os investidores exigem previsibilidade e retorno compatível com o risco assumido.

Escala Continental E Impacto Económico Potencial

Quando estiver plenamente operacional, o Mozambique LNG deverá atingir uma capacidade de produção de cerca de 13,1 milhões de toneladas por ano, posicionando-se como um dos maiores projectos de GNL em África. Este volume tem potencial para transformar a balança de pagamentos, reforçar as exportações, gerar receitas fiscais significativas e consolidar Moçambique como um actor relevante no mercado global de gás natural.

Contudo, o adiamento da produção para 2029 prolonga o hiato entre a expectativa criada pela descoberta das reservas e a materialização efectiva dos benefícios macroeconómicos, mantendo a economia dependente de outros sectores e de financiamento externo num período particularmente exigente do ponto de vista fiscal.

Conteúdo Local E Desafios De Execução

Apesar da suspensão, o consórcio manteve programas de formação e capacitação de trabalhadores e empresas nacionais, no quadro dos compromissos de conteúdo local. A retoma efectiva do projecto colocará, porém, à prova a capacidade do tecido empresarial moçambicano de responder a exigências técnicas, financeiras e de certificação compatíveis com um investimento desta dimensão.

Sem políticas activas de financiamento, certificação e integração das PMEs, os ganhos de conteúdo local poderão revelar-se limitados e concentrados, reduzindo o impacto multiplicador esperado do projecto na economia doméstica.

Com a produção agora apontada para 2029, o Mozambique LNG Project entra numa fase decisiva que poderá redefinir o papel de Moçambique no mercado global de gás natural. A retoma do empreendimento representa uma oportunidade estratégica de longo prazo, mas também um teste exigente à capacidade do país de assegurar segurança duradoura, credibilidade institucional e execução eficaz, transformando um activo energético de escala continental em desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.

Fonte: O Económico

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