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Fiscalidade E Competitividade: Sector Privado E Governo Procuram Novo Equilíbrio No Pós-Pacote Fiscal

Resumo

A CTA e a Câmara de Comércio de Moçambique promoveram um workshop sobre a regulamentação das reformas de 2025, a tributação digital e a sustentabilidade fiscal. Com a recente aprovação do novo pacote fiscal, surgem preocupações no setor privado em relação à carga tributária e à introdução da tributação da economia digital. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique procurou transformar a tensão fiscal em concertação estratégica, defendendo um sistema fiscal transparente e orientado para a competitividade. A reforma fiscal de 2025 introduziu mudanças significativas nos códigos tributários, incluindo a tributação da economia digital. A operacionalização das novas normas é agora o ponto crítico, com a Autoridade Tributária a preparar os regulamentos para a sua execução. A tributação da economia digital tem sido o tema mais sensível, com contestações à nova taxa de 10% por parte de influenciadores digitais e operadores de carteiras móveis.

Workshop promovido pela CTA e pela Câmara de Comércio de Moçambique coloca no centro do debate a regulamentação das reformas de 2025, a tributação digital e a sustentabilidade da carga fiscal.

Num momento em que Moçambique procura consolidar a sustentabilidade das finanças públicas sem comprometer a competitividade empresarial, o debate fiscal regressa ao centro da agenda económica . A aprovação do novo pacote fiscal, a 29 de Dezembro de 2025, abriu espaço para reformas estruturais profundas, mas também para inquietações no sector privado.

Entre expectativas de simplificação, receios quanto à carga tributária e a introdução da tributação da economia digital, o país entra agora numa fase decisiva: a da regulamentação . Foi neste contexto que a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), em parceria com a Câmara de Comércio de Moçambique, promoveu um workshop orientado para soluções, procurando transformar tensão fiscal em concertação estratégica.

Fiscalidade Entre Desenvolvimento E Pressão Empresarial

Para Pedro Saulosse, vice-presidente do Pelouro de Política Fiscal da CTA, a fiscalidade permanece “um dos pilares para o desenvolvimento das políticas económicas”, podendo dinamizar ou fragilizar a economia, consoante a orientação adoptada.

O dirigente sublinhou que as empresas continuam a enfrentar desafios estruturais significativos: carga tributária elevada, complexidade procedimental, custos acrescidos de conformidade e imprevisibilidade normativa . Na prática, parte relevante do esforço empresarial é desviada da produção para a gestão de obrigações fiscais.

Ainda assim, a CTA não adopta uma postura de confronto. O sector privado assume-se como parceiro institucional do Estado na construção de políticas fiscais mais eficientes, defendendo um sistema transparente, previsível e orientado para a competitividade.

Reforma Estrutural E O Desafio Da Regulamentação

Em representação da Direcção-Geral dos Impostos, Frederico Nhamuave enquadrou a reforma dentro de um percurso histórico que inclui a introdução do IVA em 1998 e a Lei 15/2022, que consolidou as bases do sistema tributário moderno.

O pacote fiscal aprovado no final de 2025 introduziu alterações significativas nos principais códigos tributários, com destaque para o IVA, IRPC, IRPS e ISPC.

Entre as mudanças, figuram a tributação da economia digital, redefinições no conceito de estabelecimento estável, ajustamentos em retenções na fonte e ampliação do limite de sujeição no ISPC.

O ponto crítico reside agora na operacionalização prática das normas. A Autoridade Tributária encontra-se em processo de auscultação para preparar os regulamentos que darão execução efectiva às alterações legislativas.

Tributação Digital No Epicentro Do Debate

A tributação da economia digital emergiu como o tema mais sensível do debate público . A nova taxa de 10% gerou contestação, particularmente entre jovens influenciadores digitais e operadores de carteiras móveis.

A Autoridade Tributária esclareceu que não houve aumento, mas sim redução da taxa anterior de 20%, acompanhada de formalização do enquadramento . Ainda assim, para a CTA, o processo poderia ter sido precedido de maior diálogo técnico, mitigando percepções negativas e insegurança normativa.

Para a Câmara de Comércio de Moçambique, a questão de fundo não é se se deve tributar, mas como tributar de forma sustentável, evitando sufocar sectores emergentes com forte potencial de inclusão económica juvenil.

Simplificação E Digitalização Como Reforma Sistémica

Um dos consensos emergentes do workshop foi a necessidade urgente de simplificação do sistema tributário . A multiplicidade de tributos e obrigações acessórias é vista como factor de desvio produtivo e de aumento de custos administrativos.

A digitalização surge como eixo estruturante da próxima etapa reformista . A interoperabilidade de sistemas e o cruzamento de dados são considerados essenciais para reforçar a transparência, reduzir informalidade e melhorar a eficiência da arrecadação.

Mais do que tecnologia, trata-se de uma transformação institucional que redefine a relação Estado-contribuinte, promovendo rastreabilidade, previsibilidade e redução de interpretações subjectivas .

Confiança Fiscal Como Activo Económico

A sustentabilidade fiscal depende da confiança. O sector privado exige clareza quanto à afectação das receitas públicas e maior transparência na despesa . Infra-estruturas, educação, segurança e serviços públicos são apontados como contrapartida legítima do esforço contributivo.

O workshop revelou maturidade institucional e reconhecimento mútuo entre administração tributária e sector privado como parceiros estratégicos . A fase de regulamentação representa, por isso, uma oportunidade crítica: poderá consolidar previsibilidade e competitividade ou, caso mal conduzida, reforçar percepções de insegurança normativa.

Entre a necessidade de consolidar receitas públicas e a urgência de preservar a vitalidade empresarial, Moçambique entra numa nova etapa do seu ciclo fiscal . O sucesso da reforma dependerá menos das taxas fixadas e mais da qualidade da regulamentação, da profundidade do diálogo institucional e da confiança construída entre Estado e contribuintes . Se bem calibrada, a fiscalidade poderá deixar de ser vista como entrave e afirmar-se, definitivamente, como motor estratégico do desenvolvimento económico nacional

Fonte: O Económico

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