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Moçambique Valida Relatórios Locais Dos ODS E Reforça Arquitectura Nacional De Planificação

Resumo

Seis territórios em Moçambique participaram em Revisões Locais Voluntárias para a Segunda Revisão Nacional Voluntária de 2026, visando a governação multinível e a territorialização do desenvolvimento. O Workshop Nacional de Validação Técnica dos Relatórios de RLV, em Matola, envolveu distritos e municípios de Maputo, Manica e Nampula, destacando a importância da harmonização entre planeamento local e compromissos internacionais. Os territórios piloto elaboraram relatórios alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, preparando-se para a RNV em 2026. Moçambique tem integrado os ODS nos planos e orçamentos públicos desde 2015, com as RLV a desempenhar um papel crucial na reforma da planificação pública e no fortalecimento da cooperação nacional e internacional.

Seis territórios apresentam Revisões Locais Voluntárias que irão alimentar a Segunda Revisão Nacional Voluntária de 2026, consolidando a governação multinível e a territorialização do desenvolvimento.

Da Agenda Global À Territorialização Do Desenvolvimento

Moçambique deu um passo relevante na consolidação da implementação da Agenda 2030 ao realizar, em Matola, o Workshop Nacional de Validação Técnica dos Relatórios de Revisão Local Voluntária (RLV), envolvendo simultaneamente distritos e municípios das províncias de Maputo, Manica e Nampula.

Na abertura do encontro, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, sublinhou tratar-se do “primeiro Workshop Nacional no contexto da realização dos Relatórios de Revisão Local Voluntária envolvendo em simultâneo o Distrito e o Município”, enquadrando o momento como uma etapa estruturante da territorialização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

Mais do que um exercício técnico, o processo é entendido como mecanismo de consolidação da governação multinível e de harmonização entre planeamento local, instrumentos nacionais — como a ENDE 2025–2044 e o PQG 2025–2029 — e compromissos internacionais.

RLV Como Instrumento De Coerência Nacional

Os seis territórios piloto — Boane (incluindo Matola Rio), Manhiça, Gondola, Manica, Nampula e Monapo — elaboraram relatórios segundo o princípio “um território, um processo, um produto”, alinhado ao compromisso de “não deixar ninguém para trás”.

Segundo Carol Pollack, da UN DESA, cada território concluiu um “strong draft Voluntary Local Review”, representando um “major milestone and collective achievement”.

O momento assume especial relevância por ocorrer em paralelo à preparação da Segunda Revisão Nacional Voluntária (RNV), que Moçambique apresentará em 2026 no Fórum Político de Alto Nível das Nações Unidas.

A articulação entre RLV e RNV é central. Como destacou Catherine Sozi, “a credibilidade da Revisão Nacional depende do grau em que reflecte as realidades no terreno”, atribuindo às revisões locais um papel estratégico na alimentação dos marcos nacionais, incluindo o PQG e o PESOE.

ODS, Planificação E Orçamento: A Reforma Silenciosa

Desde 2015, Moçambique tem vindo a integrar os ODS nos planos e orçamentos públicos, tendo aprovado, em 2020, o Quadro Nacional de Indicadores dos ODS, alinhado às prioridades nacionais .

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, deixou claro que o processo das Revisões Locais Voluntárias ultrapassa a dimensão meramente documental, assumindo-se como instrumento estruturante da reforma da planificação pública. Segundo afirmou, a elaboração dos relatórios constitui “uma mais-valia e um ganho para o país”, na medida em que contribui para o “fortalecimento da parceria e cooperação nacional e internacional” e para o “reforço da capacidade das instituições no acompanhamento do progresso, da monitoria e avaliação dos ODS’s”.

Mais do que uma iniciativa pontual, o governante enquadrou o exercício como mecanismo de consolidação institucional, sublinhando que os relatórios permitem igualmente “a melhoria da articulação entre as entidades locais dos distritos e dos municípios, enfatizando a territorialização do desenvolvimento”, ao mesmo tempo que promovem “o aprimoramento do processo de implementação dos ODS’s com base em evidências”.

Na prática, esta abordagem introduz um elemento qualitativo novo na gestão pública local: a ligação mais directa entre planificação, orçamentação, execução e monitoria. Como destacou o Ministro, os relatórios contribuem para “o incremento qualitativo da planificação, orçamentação, execução e monitoria e avaliação a nível local, abrangendo as áreas rurais e urbanas”.

Esta ênfase na evidência empírica e na coerência metodológica sugere uma transição de um modelo predominantemente normativo para um modelo de governação orientado por resultados e por dados desagregados territorialmente. Ao reconhecer “os desafios prevalecentes na obtenção de dados desagregados por território”, Valá aponta implicitamente para a necessidade de reforço do sistema estatístico local como condição essencial para que a territorialização dos ODS não se limite a uma formalidade, mas se converta num instrumento efectivo de melhoria da qualidade das políticas públicas.

Neste sentido, as Revisões Locais Voluntárias configuram-se como etapa intermédia entre o compromisso internacional e a operacionalização territorial das metas de desenvolvimento, reforçando a coerência entre instrumentos estratégicos nacionais — como a ENDE 2025–2044 e o PQG 2025–2029 — e as realidades concretas dos distritos e municípios.

Dados, Inclusão E Capacidade Estatística

Um dos pontos críticos identificados prende-se com a disponibilidade de dados desagregados por território.

Valá reconheceu explicitamente “os desafios prevalecentes na obtenção de dados desagregados por território” , sublinhando que a robustez da monitoria depende do fortalecimento estatístico.

A Coordenadora Residente das Nações Unidas acrescentou que mais de metade das metas dos ODS dependem directamente dos governos locais, que estão na linha da frente da prestação de serviços e da resposta a crises.

A localização dos ODS surge, assim, como mecanismo de reforço da equidade territorial, captando diferenças entre áreas urbanas e rurais, distritos remotos e territórios vulneráveis a choques climáticos.

Governação Multinível E Parcerias Estratégicas

O processo conta com apoio técnico e financeiro da UN DESA, UNECA, PNUD e Governo da Itália , demonstrando convergência entre diplomacia de desenvolvimento e institucionalidade nacional.

Catherine Sozi destacou que “progress happens precisely when local knowledge, national policies, and partnerships come together” , reforçando a dimensão multissetorial do processo.

Ao nível nacional, o Grupo de Referência dos ODS, criado em 2017, funciona como mecanismo de coordenação entre Governo, Assembleia da República, sociedade civil, sector privado, academia e parceiros internacionais.

RNV 2026 Como Plataforma De Consolidação

A Segunda Revisão Nacional Voluntária de 2026 será momento de prestação de contas internacional, mas também de reflexão interna sobre progressos, lacunas e prioridades estratégicas.

Os relatórios locais agora validados constituirão fonte directa de informação para esse exercício.

Mais do que cumprir um calendário multilateral, o processo posiciona a Agenda 2030 como instrumento operativo de governação territorial, reforçando transparência, responsabilização e melhoria contínua.

Ao integrar seis territórios piloto num exercício simultâneo de revisão local, Moçambique não apenas reforça a coerência entre níveis de governação, como consolida uma arquitectura institucional que transforma metas globais em instrumentos concretos de planificação e gestão pública, preparando o país para uma Revisão Nacional Voluntária mais ancorada nas realidades locais.

Fonte: O Económico

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