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CRESCIMENTO DE MOÇAMBIQUE CAI PARA 0,9% EM 2026

Resumo

Moçambique enfrenta uma queda acentuada no crescimento económico, revisto de 3% para 0,9% pelo Banco Mundial para 2026, devido a conflitos no Médio Oriente e pressões inflacionárias. Esta situação destaca fragilidades internas que limitam a recuperação económica do país, agravadas por uma inflação estimada em 7,5%. A dependência de megaprojetos extractivos torna o crescimento volátil e pouco inclusivo. Além disso, o relatório do Banco Mundial indica que a maioria dos PALOP, incluindo Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, terão um crescimento revisto em baixa, com exceção da Guiné-Bissau. Os PALOP deverão crescer apenas 2%, abaixo da média da África Subsaariana, refletindo um abrandamento generalizado na região em 2026.

Por: Lurdes Almeida

Moçambique é o país mais afectado pelas projecções do Banco Mundial para 2026, após uma revisão acentuada em baixa do crescimento económico, de 3% para 0,9%, num contexto de conflito no Médio Oriente e persistência de pressões inflacionárias.

Esta queda para 0,9% deve ser vista como uma oportunidade para corrigir trajectórias. Num contexto internacional adverso, marcado por tensões geopolíticas e inflação persistente, o país evidencia fragilidades internas que continuam a limitar a sua capacidade de recuperação e transformação económica.

O relatório semestral Africa Economic Update do Banco Mundial em Washington, indica que esta é a maior queda entre os PALOP, reflectindo pressões externas e fragilidades internas que travam a recuperação económica do país. Para além do abrandamento do crescimento, Moçambique enfrenta uma inflação estimada em 7,5%, elevando o custo de vida e pressionando o poder de compra das famílias. O abrandamento reflecte, em grande medida, a elevada exposição de Moçambique a choques externos. A dependência de megaprojectos extractivos, sobretudo no gás e na mineração, torna o crescimento económico volátil e pouco inclusivo. Quando o ambiente global se deteriora, seja por conflitos no Médio Oriente ou oscilações nos preços internacionais, os efeitos fazem-se sentir de forma imediata na economia nacional. Paralelamente, a inflação estimada em 7,5% agrava o quadro macroeconómico, penalizando o consumo interno e aprofundando desigualdades sociais. Numa economia onde uma grande parte da população já se encontra em situação de vulnerabilidade, pressões inflacionárias prolongadas podem comprometer não só o bem-estar social, mas também, a estabilidade económica.

Contudo, os factores externos não explicam tudo, pelo facto de persistirem constrangimentos internos tais como: limitações infraestruturais, baixa produtividade nos sectores produtivos, dificuldades no acesso ao financiamento e um ambiente de negócios ainda pouco competitivo. A lenta diversificação económica continua a ser um dos principais entraves ao crescimento sustentável. Sectores como a agricultura,  indústria transformadora e  turismo, que poderiam desempenhar um papel mais robusto, permanecem subexplorados.

Nos PALOP, o Banco Mundial reviu em baixa as previsões de crescimento para a maioria das economias. Angola deverá crescer 2,4% (face aos 2,6% anteriores), Cabo Verde 4,8% (antes 5,2%) e São Tomé e Príncipe 2,9% (abaixo dos 4% previstos).

A excepção é a Guiné-Bissau, que deverá crescer 5,3%, ligeiramente acima da previsão anterior, sendo o único país com revisão em alta. Já a Guiné Equatorial deverá regressar à recessão, com uma contracção de 3,5%, invertendo a previsão de crescimento.

Em média, os PALOP deverão crescer apenas 2%, bem abaixo dos 4,1% previstos para a África Subsaariana. O relatório alerta para um abrandamento generalizado, com revisões em baixa para cerca de 60% dos países africanos em 2026.

O Banco Mundial destaca ainda impactos directos nos rendimentos: em quase um terço dos países, o rendimento per capita deverá cair abaixo dos níveis de 2014, com quedas mais acentuadas em economias dependentes do petróleo ou afectadas por conflitos, como Angola, Guiné Equatorial e Sudão.

Ainda assim, cerca de 40% dos países da região apresentam rendimentos acima dos níveis de 2014, alguns com melhorias significativas.

A comparação com outros países africanos reforça este diagnóstico. Enquanto algumas economias conseguem manter trajectórias de crescimento mais dinámicas, Moçambique continua excessivamente dependente de poucos motores económicos. Esta concentração aumenta o risco sistémico e reduz a resiliência perante choques.

Perante este cenário, mais do que reagir a crises conjunturais, o país precisa de acelerar reformas estruturais. A aposta na diversificação económica, no fortalecimento das cadeias de valor locais e na melhoria do capital humano deve deixar de ser um objectivo de longo prazo e passar a constituir uma prioridade imediata.

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