InícioEconomiaGoverno Autoriza Compra Livre De Combustíveis Para Travar Filas E Reforçar Abastecimento

Governo Autoriza Compra Livre De Combustíveis Para Travar Filas E Reforçar Abastecimento

O Governo moçambicano aprovou um conjunto de medidas excepcionais com vista a garantir o abastecimento regular de combustíveis líquidos em todo o território nacional, num contexto marcado por constrangimentos logísticos e crescente pressão sobre a cadeia de distribuição.De acordo com o comunicado do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), “foram aprovadas medidas excepcionais e imediatas para garantir o abastecimento de combustíveis líquidos em todo o território nacional”, sublinhando que a decisão surge “na sequência de constrangimentos registados no processo de distribuição”.No centro destas medidas está a autorização concedida aos operadores retalhistas para adquirirem combustíveis junto de qualquer distribuidor devidamente licenciado, independentemente dos vínculos contratuais existentes — uma ruptura significativa com o modelo tradicional de abastecimento.O despacho ministerial, datado de 15 de Abril de 2026, formaliza esta orientação, determinando que “as empresas distribuidoras devem assegurar, com carácter imediato e obrigatório, o fornecimento de combustíveis a todos os retalhistas devidamente licenciados, sem qualquer forma de discriminação”.Mais ainda, estabelece que os retalhistas ficam autorizados a adquirir combustíveis “junto de qualquer distribuidora devidamente licenciada, independentemente do seu vínculo contratual”, enquanto persistirem dificuldades no abastecimento.Esta medida visa introduzir maior flexibilidade no sistema, permitindo uma redistribuição mais eficiente dos stocks disponíveis e reduzindo os estrangulamentos operacionais que têm estado na origem das longas filas registadas em Maputo e noutras cidades.Apesar das dificuldades observadas no terreno, o Governo mantém que não existe risco de ruptura de combustíveis.Segundo a AIM, citando a directora de operações da IMOPETRO, Abida Patel, “não há risco de escassez, uma vez que há combustível disponível nos terminais oceânicos do país”.A responsável esclarece ainda que, embora o fornecimento continue a ocorrer de forma regular, o país teve de ajustar as suas rotas de importação devido ao impacto do conflito no Médio Oriente.“Uma grande parte do combustível vinha do Médio Oriente, mas devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, o abastecimento foi redireccionado para outros mercados”, afirmou.A vulnerabilidade do mercado moçambicano é amplificada pela sua forte dependência de importações. De acordo com a AIM, cerca de 80% dos combustíveis consumidos no país passam por rotas associadas ao Estreito de Ormuz — uma das principais artérias energéticas globais .O bloqueio desta rota, no contexto da guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, teve um impacto directo nas cadeias logísticas, prolongando os tempos de transporte e aumentando os custos operacionais.Segundo a mesma fonte, o tempo de transporte marítimo aumentou em cerca de 10 dias, pressionando os custos de importação e exigindo maior liquidez por parte das empresas do sector.No terreno, a percepção dos consumidores diverge da narrativa oficial. Em Maputo e noutras cidades, têm-se registado longas filas nas bombas de abastecimento, reflectindo tanto constrangimentos reais como comportamentos preventivos por parte dos consumidores.Embora as autoridades atribuam parte do fenómeno ao açambarcamento, a AIM refere que muitos automobilistas procuram simplesmente garantir a continuidade da sua mobilidade, num contexto de incerteza.Este desalinhamento entre disponibilidade física de combustível e percepção de escassez constitui um dos principais desafios de gestão da crise.Face à situação, o MIREME apelou à calma e desencorajou práticas de açambarcamento, sublinhando a necessidade de um consumo racional.O comunicado oficial destaca que se deve evitar “a constituição de reservas domésticas de combustível, bem como o abastecimento para além do estritamente necessário” .Este posicionamento visa mitigar pressões adicionais sobre a rede de distribuição e assegurar uma gestão mais equilibrada dos recursos disponíveis.Embora de natureza temporária, as medidas adoptadas levantam questões estruturais sobre o funcionamento do mercado de combustíveis em Moçambique.A flexibilização das relações contratuais entre distribuidores e retalhistas poderá introduzir maior concorrência e eficiência, mas também exige mecanismos robustos de regulação e fiscalização para evitar distorções.O despacho atribui à Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC) a responsabilidade de assegurar a implementação das medidas e a coordenação com os diferentes actores do sector.O contexto actual evidencia uma interdependência crítica entre factores externos e a estabilidade do mercado interno. Enquanto o Governo actua para garantir o abastecimento e conter os efeitos imediatos da crise, a evolução da situação dependerá, em larga medida, da dinâmica geopolítica global.A reconfiguração das rotas de abastecimento, o aumento dos custos e a volatilidade dos mercados internacionais sugerem que os desafios poderão persistir, exigindo uma abordagem estratégica mais ampla para reforçar a resiliência energética do país.

Fonte: O Económico

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