InícioEconomiaCustos Elevados E Constrangimentos Estruturais Travam Confiança Empresarial Em Moçambique

Custos Elevados E Constrangimentos Estruturais Travam Confiança Empresarial Em Moçambique

O ambiente de negócios em Moçambique revela sinais claros de fragilidade operacional, com cerca de 46,3% das empresas a reportarem limitações à sua actividade.Para Agostinho Vuma, em entrevista ao Semanário Económico, exibido na STV Nticias, a Quinta-Feira,  23/04, este número é particularmente preocupante: “significa que quase metade das empresas está em grandes dificuldades”, evidenciando um contexto empresarial marcado por constrangimentos reais e persistentes.Este dado reflecte não apenas dificuldades conjunturais, mas limitações estruturais que afectam a capacidade produtiva e a sustentabilidade das empresas.Entre os principais factores que condicionam o desempenho empresarial destacam-se os custos elevados de energia, financiamento, logística e importações.Na leitura do sector privado, estes custos reduzem a margem de lucro e limitam a capacidade de investimento. “O empresário não reage apenas às expectativas… reage à margem de lucro e aos custos”, sublinha Vuma.Este contexto explica, em grande medida, a desconexão entre sinais de recuperação da procura e a ausência de dinamismo económico.Apesar de alguma recuperação nas expectativas de procura — que passaram de níveis mais baixos para cerca de 91 pontos no final de 2025 — o indicador continua abaixo da média histórica, não sendo suficiente para estimular decisões de investimento.Esta dinâmica evidencia uma economia em que o aumento da procura não se traduz automaticamente em crescimento, devido ao peso dos custos e à incerteza no ambiente de negócios.A deterioração da confiança nos sectores da indústria e comércio, considerados pilares da economia, constitui um factor adicional de preocupação.Segundo Vuma, “o risco maior é a formação de um ciclo de espera… menos investimento, menos crescimento”, alertando para o impacto sistémico da perda de confiança nestes sectores .Este fenómeno pode comprometer a recuperação económica e reduzir o potencial de crescimento no médio prazo.O comportamento do sector privado sugere uma postura defensiva, com empresas a adiar investimentos e contratações face à incerteza.A ausência de confiança traduz-se numa redução da actividade económica e numa menor capacidade de geração de emprego, reforçando o ciclo de desaceleração.O diagnóstico do sector privado converge numa prioridade clara: a necessidade de reduzir custos estruturais e acelerar a implementação de reformas.“Reduzir custos”, sintetizou Vuma, referindo-se à necessidade de actuar sobre financiamento, energia, logística e carga fiscal .Para além disso, destaca-se a importância de criar previsibilidade regulatória e melhorar o diálogo entre o Governo e o sector privado.A recuperação do clima empresarial dependerá, em última instância, da capacidade das autoridades em transformar diagnósticos em acções concretas.Sem melhorias no ambiente de negócios e redução efectiva dos custos operacionais, a confiança dificilmente será restabelecida de forma sustentável.Num contexto em que o sector privado é chamado a desempenhar um papel central no crescimento económico, a criação de condições favoráveis à sua actuação torna-se um imperativo estratégico para o país.

Fonte: O Económico

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