A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) iniciou um processo de mapeamento das necessidades de divisas no mercado nacional, com o objectivo de apresentar ao Banco de Moçambique (BM) um diagnóstico detalhado das exigências do sector empresarial.A iniciativa surge num contexto de crescentes constrangimentos no acesso a moeda estrangeira, situação que está a afectar directamente a capacidade produtiva das empresas, sobretudo num país fortemente dependente de importações.Segundo informações avançadas pela CTA, o exercício visa pressionar a adopção de medidas que permitam maior disponibilidade de divisas, consideradas essenciais para garantir o funcionamento normal da economia.O acesso limitado a moeda estrangeira tem condicionado a importação de bens intermédios, matérias-primas e equipamentos, criando dificuldades operacionais para diversos sectores de actividade.A estrutura da economia moçambicana, caracterizada por uma forte dependência de importações, agrava o problema, numa altura em que as exportações permanecem insuficientes para equilibrar a balança comercial.
“Importamos mais do que exportamos, o que demonstra a necessidade urgente de reforçar a produção interna”, sublinhou o vice-presidente da CTA, Onório Manuel Boane, evidenciando a natureza estrutural do problema.Para além da escassez de divisas, o sector empresarial continua a enfrentar desafios adicionais que condicionam o investimento e a expansão da actividade económica.Entre os principais entraves identificados estão a burocracia excessiva, a morosidade na emissão de licenças, a carga fiscal e a percepção de corrupção, factores que continuam a limitar a competitividade do ambiente de negócios em Moçambique.Estas preocupações foram também partilhadas em fóruns recentes de diálogo entre o sector público e privado, onde se destacou a necessidade de respostas mais céleres por parte das instituições públicas.O desequilíbrio estrutural entre importações e exportações mantém uma pressão contínua sobre o mercado cambial, limitando a disponibilidade de divisas e exigindo uma gestão cautelosa por parte do Banco de Moçambique.Neste contexto, a CTA defende a necessidade de medidas que não apenas aliviem a escassez no curto prazo, mas que contribuam para uma transformação estrutural da economia, com maior foco na produção interna e substituição de importações.A organização empresarial sublinha que a superação destes constrangimentos exige uma abordagem coordenada, envolvendo políticas económicas, reformas estruturais e maior eficiência institucional.O objectivo passa por criar condições que permitam, a médio e longo prazo, reduzir a dependência externa, estimular o investimento produtivo e promover um crescimento económico mais equilibrado e sustentável.Num contexto de crescente pressão sobre o sector empresarial, a resposta das autoridades monetárias e governamentais será determinante para definir a trajectória da economia moçambicana nos próximos anos.
Fonte: O Económico



