InícioSaúdeCabo Verde apoia evacuações de passageiros de cruzeiro com sintomas de hantavírus

Cabo Verde apoia evacuações de passageiros de cruzeiro com sintomas de hantavírus

O navio de cruzeiro Hondius está no centro de um alerta sanitário internacional desde sábado, quando foram relatados casos suspeitos de hantavírus a bordo. Naquele mesmo dia, a embarcação com 147 pessoas se dirigiu à costa de Cabo Verde, o país de língua portuguesa no oeste da África.

Até o momento, oito casos de infecção foram registrados e três pessoas mortes. Um paciente está internado na África do Sul e o outro está sob cuidados médicos na Suíça. 

Proteção da população civil

Nesta quarta-feira, foi realizada com sucesso a evacuação das outras três pessoas que apresentavam sintomas ou tiveram contato próximo com alguém sintomático. Elas foram transportadas em segurança, de avião, para os Países Baixos.

A operação contou com o apoio da Organização Mundial da Saúde, OMS, em Cabo Verde e autoridades locais. A representante da OMS no país enviou mensagem à ONU News explicando a resposta cabo-verdiana.

Ann Lindstrand disse que era importante equilibrar dois aspectos: a proteção da população civil em Cabo Verde, de modo a evitar um grande surto no país, e o cuidado com os pacientes enfermos a bordo.

Assim, as autoridades de saúde locais optaram por não desembarcar os passageiros e, em vez disso, enviar equipes médicas equipadas e protegidas a bordo para tratar os pacientes.

Medidas rigorosas de distanciamento

Após a evacuação o barco pôde deixar o porto da Praia e seguir viagem para as Ilhas canárias, na Espanha. Um médico da OMS vai seguir a bordo, juntamente com outros profissionais de saúde. 

Lindstrand explicou que embora não haja ninguém doente no barco neste momento, caso alguém venha a adoecer, haverá médicos e suprimentos disponíveis para prestar a assistência necessária durante a travessia.

Ela afirmou que os passageiros que se encontram agora a bordo, e que estão assintomáticos, foram orientados a permanecer principalmente em suas próprias cabines, a manter o distanciamento físico e a higiene das mãos, além de utilizar equipamentos de proteção, incluindo máscaras.

Essas precauções serão mantidas, pois não não há como ter certeza se há alguém que esteja atualmente no período de incubação do vírus. 

Um grande navio de cruzeiro branco navega pelo oceano em um dia nublado.

Unsplash/Yiran Ding
Um navio de cruzeiro navega pelo oceano

Português faz parte da tripulação

Desde o início da crise, a OMS tem prestado assistência com exames laboratoriais, equipamentos, além de apoio financeiro e técnico.

Três casos já foram confirmados como hantavírus do tipo Andes, mais comummente encontrado na América do Sul.

A especialista da OMS explicou que esta é a única variante do hantavírus que já teve transmissão entre humano relatada anteriormente.

O Ministério das Relações Exteriores de Portugal informou que um cidadão português está a bordo do navio, como membro da tripulação. Segundo o Ministério, ele não solicitou assistência diplomática até o momento. 

Corrida para evitar propagação adicional

O oitavo caso de infecção divulgado é de um indivíduo, do sexo masculino, que está sendo tratado em um hospital de Zurique, na Suíça. Ele buscou assistência médica após receber um e-mail da empresa operadora do navio.

Em nota nas redes sociais, a OMS disse que está trabalhando com os países para apoiar o rastreamento internacional de contatos, a fim de garantir que “aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer propagação adicional da doença seja limitada”.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, informou que “nesta fase, o risco geral para a saúde pública permanece baixo”.

A agência da ONU afirmou que as vítimas podem ter sido infectadas pela doença antes de embarcar.

Os hantavírus são transmitidos por roedores e podem causar doenças graves em humanos. A infecção ocorre através do contato direto com roedores infectados, bem como com a urina, fezes ou saliva.

Fonte: ONU

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