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Combustíveis Disparam Em Moçambique Com Gasóleo A Subir 45,5% E Pressão Externa A Agravar Custos

Moçambique entrou, a partir desta quinta-feira, num novo ciclo de preços mais elevados dos combustíveis, com aumentos significativos que reflectem tanto a pressão dos mercados internacionais como vulnerabilidades estruturais da economia nacional.De acordo com o comunicado da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), os novos preços passaram a vigorar desde as 00h00 de 07 de Maio de 2026, abrangendo as principais cidades com terminais de distribuição, nomeadamente Maputo, Matola, Beira, Nacala e Pemba.Os dados oficiais indicam que o gasóleo registou a subida mais expressiva, passando de 79,88 meticais para 116,25 meticais por litro, o que representa um aumento de 45,5%. A gasolina, por sua vez, subiu de cerca de 83,57 meticais para 93,69 meticais por litro, reflectindo um aumento superior a 12%. Já o petróleo de iluminação passou de 66,86 para 97,56 meticais por litro, um agravamento próximo de 46% .O gás de cozinha (GPL) registou uma variação mais moderada, subindo para 87,82 meticais por quilograma, enquanto o gás natural veicular também foi ajustado em alta, sinalizando um reajuste generalizado em toda a estrutura de preços energéticos.A fundamentação apresentada pela ARENE aponta para um contexto internacional marcado por elevada volatilidade, fortemente influenciado pelo agravamento do conflito no Médio Oriente. Segundo o regulador, esta situação tem impactado a segurança do transporte marítimo de petróleo, particularmente no Estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela significativa do crude global.As perturbações nas cadeias logísticas globais, associadas ao aumento dos custos de transporte e dos prémios de seguro, contribuíram para uma subida acentuada dos preços internacionais, com o Brent a ultrapassar a fasquia dos 100 dólares por barril, conforme referido no comunicado.Contudo, no caso moçambicano, o impacto é amplificado por factores internos. Sendo um importador líquido de combustíveis, o país encontra-se particularmente exposto às flutuações externas. A dependência de importações provenientes de rotas altamente sensíveis a tensões geopolíticas, aliada às limitações na disponibilidade de divisas, exerce pressão adicional sobre os custos de importação e sobre a taxa de câmbio.Para além da revisão de preços, o país enfrenta há várias semanas dificuldades no abastecimento de combustíveis, com registos de postos encerrados, filas prolongadas e restrições na venda, situação que tem afectado directamente a mobilidade de pessoas e bens.Segundo informações reportadas, cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam por rotas impactadas pelo conflito no Médio Oriente, o que ajuda a explicar a vulnerabilidade do sistema de abastecimento.O impacto económico é transversal. O aumento dos preços dos combustíveis tende a repercutir-se nos custos de transporte, na logística, nos preços dos bens essenciais e, consequentemente, na inflação. Para o sector empresarial, particularmente as PME, a subida dos custos operacionais poderá traduzir-se em compressão de margens e eventual desaceleração da actividade.Perante este cenário, o Governo tem vindo a sinalizar medidas mitigadoras, incluindo a possibilidade de subsidiação do transporte público de passageiros, numa tentativa de conter os efeitos sociais mais imediatos.Paralelamente, estão em curso esforços para diversificar fontes de abastecimento, através de acordos com outros países produtores, embora estes processos exijam tempo e capacidade financeira, num contexto em que a escassez de divisas constitui um constrangimento adicional.O reajuste agora implementado reflecte, em grande medida, uma inevitabilidade económica num contexto de choque externo. Contudo, a magnitude dos aumentos, especialmente no gasóleo e no petróleo de iluminação, levanta preocupações quanto ao impacto social e à capacidade de absorção por parte das famílias e empresas.Num país onde a energia constitui um insumo crítico para o funcionamento da economia, a evolução dos preços dos combustíveis continuará a ser um dos principais factores a moldar o desempenho económico no curto prazo.

Fonte: O Económico

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