Resumo
O Standard Bank encerrou o exercício de 2025 com crescimento dos proveitos, expansão do balanço e reforço prudencial, apesar de uma redução significativa nos lucros devido à gestão de risco cautelosa, desaceleração económica e aumento das imparidades de crédito. Os proveitos totais cresceram 5,6%, atingindo 19,5 mil milhões de meticais, impulsionados pela diversificação das receitas e crescimento das operações financeiras. Os lucros diminuíram cerca de 26,3%, para 4,5 mil milhões de meticais, devido ao reforço das imparidades de crédito. O balanço consolidado cresceu 8,7%, alcançando 193,9 mil milhões de meticais, com recursos de clientes a atingirem 139,6 mil milhões de meticais. O banco mantém uma posição prudencial robusta, com rácio de solvabilidade de 22%. O relatório destaca perspetivas de crescimento sustentadas pelo gás natural e grandes projetos em Moçambique.
No Relatório e Contas 2025, divulgado recentemente, a instituição financeira reconhece que o ambiente macroeconómico permaneceu particularmente desafiante ao longo do ano, num contexto influenciado por incertezas pós-eleitorais, menor dinamismo económico e pressões sobre liquidez em moeda estrangeira.
Segundo o banco, os proveitos totais cresceram 5,6%, atingindo 19,5 mil milhões de meticais, impulsionados sobretudo pela diversificação das fontes de receita e crescimento das operações associadas a taxas, comissões e actividade financeira.
Os resultados com taxas e comissões cresceram 22,7%, alcançando 2,3 mil milhões de meticais, enquanto os resultados de operações financeiras ascenderam a 2,1 mil milhões de meticais.
Lucros Recuam Com Reforço Acentuado das Imparidades
Apesar da evolução positiva dos proveitos e da expansão da actividade, o resultado líquido do banco fixou-se em 4,5 mil milhões de meticais, representando uma redução de aproximadamente 26,3% face ao exercício anterior.
O relatório associa este desempenho ao reforço substancial das imparidades de crédito, que aumentaram de 956 milhões de meticais em 2024 para 3,7 mil milhões de meticais em 2025.
Segundo o banco, esta decisão reflecte uma abordagem prudente e alinhada com as melhores práticas internacionais de gestão de risco e perdas esperadas previstas nas normas NIRF 9.
O resultado por acção reduziu-se igualmente de 7,90 meticais em 2024 para 5,82 meticais em 2025.
A instituição sustenta, contudo, que o reforço das provisões visa consolidar estruturalmente a robustez do balanço e preparar o banco para os próximos ciclos de crescimento económico.
Recursos de Clientes Aproximam-se dos 140 Mil Milhões de Meticais
O balanço consolidado do Standard Bank cresceu 8,7%, alcançando 193,9 mil milhões de meticais no final de 2025.
Os recursos de clientes aumentaram 15,8%, atingindo 139,6 mil milhões de meticais, indicador que o banco interpreta como reflexo da confiança do mercado e da estabilidade da instituição.
O capital próprio consolidado cresceu 10,5%, fixando-se em 38,7 mil milhões de meticais.
O banco manteve igualmente uma posição prudencial considerada robusta, com o rácio de solvabilidade situado em 22%, acima do mínimo regulamentar exigido pelo Banco de Moçambique, estimado em 14%, incluindo a componente de risco sistémico.
Gás Natural e Grandes Projectos Sustentam Perspectivas de Crescimento
O relatório evidencia uma leitura relativamente optimista sobre o potencial económico de Moçambique no médio prazo, particularmente associado à retoma dos grandes projectos energéticos.
Segundo o banco, a expectativa de decisão final de investimento da ExxonMobil em 2026 e a retoma das obras da TotalEnergies no Rovuma poderão consolidar o posicionamento de Moçambique como fornecedor estratégico de gás natural liquefeito.
O Standard Bank estima que o país poderá atingir capacidade próxima de 38 milhões de toneladas anuais de produção de LNG até ao final da década.
A instituição considera que este enquadramento poderá gerar novas oportunidades em financiamento de infra-estruturas, assessoria financeira e banca corporativa ligada aos megaprojectos.
Banco Aprova Nova Estratégia Até 2028
O Conselho de Administração aprovou igualmente o novo Plano Estratégico 2026–2028, estruturado em torno de três pilares: melhoria da experiência do cliente, excelência operacional e crescimento sustentável.
Entre as metas definidas pelo banco destaca-se o objectivo de atingir resultado líquido de 10,4 mil milhões de meticais até 2028, além de retorno sobre capital de 25% e melhoria contínua da eficiência operacional.
Na vertente institucional, o banco reforçou igualmente a aposta em sustentabilidade e inclusão financeira, destacando a adesão ao Women Entrepreneurs Finance Code, iniciativa internacional liderada pelo Banco Mundial voltada para o financiamento de mulheres empreendedoras.
O relatório alerta, contudo, que 2026 continuará a exigir “responsabilidade partilhada entre os agentes económicos”, sobretudo perante desafios ligados às finanças públicas, liquidez cambial e necessidade de diversificação da base exportadora nacional.
Fonte: O Económico






