Resumo
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, está a aproveitar a participação do país no Africa CEO Forum, em Kigali, Ruanda, para atrair investimento, fortalecer parcerias internacionais e posicionar Moçambique no centro das novas dinâmicas africanas de industrialização, transformação digital e inovação tecnológica. A presença moçambicana no fórum visa impulsionar a independência económica, consolidar contactos com líderes políticos e empresariais, e abrir oportunidades para setores prioritários do crescimento económico nacional. Destaque para a transformação digital como meio de modernização económica, inclusão financeira e eficiência estatal e privada, com ênfase em parcerias com a Visa para expandir os pagamentos eletrónicos e modernizar o sistema financeiro moçambicano. A digitalização é vista como crucial para reduzir a informalidade económica, promover a bancarização e acelerar a modernização dos serviços públicos e privados, incluindo a eficiência tributária e a formalização económica.
Num contexto em que os países africanos procuram acelerar processos de integração económica, modernização produtiva e soberania tecnológica, a presença moçambicana no fórum surge alinhada com a tentativa do Executivo de reforçar as bases daquilo que o Chefe do Estado descreve como “independência económica”.
Segundo Daniel Chapo, o evento permitiu consolidar contactos com líderes políticos, investidores e grandes grupos empresariais internacionais, abrindo novas oportunidades para sectores considerados prioritários para o crescimento económico nacional.
Digitalização da Economia Passa Para o Centro da Agenda Estratégica
Um dos sinais mais relevantes da participação moçambicana no fórum foi o destaque dado à transformação digital como instrumento de modernização económica, inclusão financeira e melhoria da eficiência do Estado e do sector privado.
Durante a sua estadia em Kigali, Daniel Chapo reuniu-se com Michael Berner, Vice-Presidente Sénior e Director Regional da Visa para África Austral e Oriental, num encontro centrado na expansão dos pagamentos electrónicos e na introdução de soluções tecnológicas para o sistema financeiro moçambicano.
A Visa classificou Moçambique como um dos mercados estratégicos da região, destacando o potencial do país na digitalização financeira e modernização dos serviços económicos.
“Existem muitas oportunidades no país para a digitalização de pagamentos, para trazer novas tecnologias e novas inovações, o que ajudaria não apenas a modernizar os pagamentos em Moçambique, mas também a modernizar a economia”, declarou Michael Berner.
A formulação é particularmente significativa num momento em que vários países africanos procuram reduzir a informalidade económica, expandir a bancarização e acelerar a digitalização dos serviços públicos e privados.
Inclusão Financeira e Tributação Electrónica Entram na Agenda Presidencial
Outro elemento relevante das conversações entre o Governo moçambicano e a Visa foi o enfoque em mecanismos de inclusão financeira e soluções digitais ligadas à captação de receitas fiscais e ao turismo.
A abordagem demonstra que o Executivo começa a olhar para a digitalização não apenas como uma questão tecnológica, mas também como instrumento de eficiência tributária, formalização económica e aumento da arrecadação de receitas.
A transformação digital dos pagamentos pode igualmente reduzir custos de transacção, melhorar rastreabilidade financeira e aumentar o acesso da população aos serviços financeiros formais, sobretudo em zonas ainda fortemente dependentes de numerário.
O encontro com a Visa decorreu paralelamente a contactos mantidos com a Yango Group, empresa tecnológica sediada no Dubai, especializada em plataformas digitais, mobilidade e soluções electrónicas.
Segundo Daniel Chapo, as conversações abordaram soluções de inteligência artificial e transformação digital adaptadas à realidade africana.
Governo Quer Associar Tecnologia à Industrialização
Apesar do forte enfoque tecnológico, a estratégia apresentada pelo Executivo em Kigali procura articular digitalização com industrialização, logística, energia e infra-estruturas produtivas.
Durante os encontros realizados à margem do fórum, Daniel Chapo promoveu as potencialidades de Moçambique nos sectores de energia, hidrocarbonetos, energias renováveis, logística, turismo, agricultura e transformação industrial.
O posicionamento evidencia uma tentativa de construir uma narrativa de desenvolvimento mais integrada, em que a digitalização funciona como catalisador transversal da competitividade económica e da modernização do ambiente de negócios.
Banco de Desenvolvimento Surge Como Nova Peça Estratégica
No domínio financeiro, um dos aspectos mais relevantes foi a confirmação de contactos entre Moçambique e o Fundo Soberano de Angola para discutir mecanismos ligados à capitalização do futuro Banco de Desenvolvimento de Moçambique.
Segundo o Presidente da República, a futura instituição deverá ser financiada parcialmente com recursos provenientes da indústria de hidrocarbonetos, com o objectivo de apoiar a geração de riqueza nacional e dinamizar o investimento produtivo.
A iniciativa insere-se no esforço do Governo para criar novos instrumentos financeiros orientados ao financiamento do desenvolvimento, industrialização e fortalecimento do sector privado nacional.
Executivo Assume Discurso Mais Pró-Mercado
No balanço final da missão ao Ruanda, Daniel Chapo adoptou um discurso claramente orientado para o reforço das parcerias público-privadas e melhoria do ambiente de investimento.
“A nossa responsabilidade como sector público é acarinhar o sector privado, nacional e estrangeiro, removendo bloqueios e alterando a legislação se necessário para dinamizar os negócios”, afirmou o Chefe do Estado.
A declaração reflecte uma tentativa do Executivo de transmitir sinais de abertura económica e pragmatismo institucional aos investidores internacionais, num momento em que Moçambique procura consolidar credibilidade externa, acelerar reformas e posicionar-se como plataforma regional de investimento, energia e transformação económica.
Fonte: O Económico





