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O MUNDO APRENDEU POUCO COM A COVID-19

Resumo

Após vários anos desde a pandemia da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde alerta que o mundo permanece vulnerável a novas crises sanitárias, como o recente surto de Ébola em África evidencia. A falta de transformação nas prioridades políticas e económicas dos Estados revela a fragilidade dos sistemas de saúde, ainda vistos como despesa em vez de investimento estratégico, especialmente em África. A desigualdade no acesso à ciência e tecnologia durante a pandemia expôs a limitação da solidariedade global perante interesses económicos e geopolíticos. A falta de preparação para futuras ameaças sanitárias, aliada à influência das alterações climáticas na saúde pública, indica a necessidade de políticas públicas eficazes e de um pensamento a longo prazo para enfrentar emergências complexas. A lição da Covid-19 sobre a importância da prevenção parece não ter sido plenamente aprendida, com a comunidade internacional ainda a reagir de forma reativa em vez de proativa.

Por: Gelva Anibal

Passados vários anos desde a pandemia da Covid-19, seria lógico acreditar que os sistemas de saúde estariam hoje mais preparados para enfrentar novas crises sanitárias. Os recentes alertas da Organização Mundial da Saúde demonstram exactamente que o mundo continua vulnerável, desorganizado e perigosamente dependente de reacções tardias.

O novo surto de Ébola em África, associado aos avisos sobre a possibilidade de futuras pandemias mais graves, veio recordar uma verdade desconfortável, a Covid-19 abalou o planeta, mas não transformou de forma profunda as prioridades políticas e económicas dos Estados. Durante o auge da pandemia, os discursos sobre fortalecimento dos sistemas de saúde, cooperação internacional e prevenção sanitária dominaram conferências, governos e organizações multilaterais. Contudo, terminado o momento de emergência, grande parte dessas promessas perdeu força.

A saúde pública continua, em muitos países, a ser vista como uma despesa e não como investimento estratégico. Em África, por exemplo, surtos epidémicos continuam a mostrar a fragilidade estrutural de vários sistemas nacionais de saúde, frequentemente dependentes de apoio externo para responder a crises básicas.

A pandemia também expôs uma das maiores contradições da comunidade internacional, a desigualdade no acesso à ciência e à tecnologia. Enquanto algumas nações acumulavam vacinas e recursos médicos, outras enfrentavam dificuldades até para proteger os grupos mais vulneráveis. A retórica sobre solidariedade global mostrou-se limitado quando confrontado com interesses económicos e geopolíticos.

Hoje, os sinais de alerta voltam a surgir, a Organização Mundial da Saúde reconhece que o planeta permanece insuficientemente preparado para enfrentar novas ameaças sanitárias. A pandemia transformou-se rapidamente em memória distante, mesmo tendo deixado consequências económicas, sociais e psicológicas.

Outro aspecto preocupante é a crescente influência das alterações climáticas sobre a saúde pública, o aumento das temperaturas, as crises alimentares, as doenças respiratórias e a expansão de vírus para novas regiões indicam que as próximas emergências sanitárias poderão ser ainda mais complexas.

Em simultaneo, a tecnologia avança rapidamente dentro do sector da saúde, a inteligência artificial, por exemplo, promete revolucionar diagnósticos e tratamentos. Toda via, a inovação tecnológica pouco resolverá se os sistemas continuarem marcados por desigualdade, precariedade e falta de acesso pois, nenhuma tecnologia substitui políticas públicas eficientes.

O comportamento internacional continua excessivamente reactivo, os governos mobilizam recursos quando a crise explode, mas reduzem o investimento assim que a pressão diminui. Esta lógica mostra igualmete que não so há falta de planeamento, mas também uma perigosa incapacidade de pensar a longo prazo.

A principal lição da Covid-19 deveria ter sido a necessidade de prevenção, pois foi um teste político, social e moral. E, olhando para os acontecimentos recentes, torna-se difícil afirmar que o mundo tenha realmente aprendido com ela.

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