Maputo, 12 Jun (AIM) – A cidade de Maputo notificou, desde o início de 2025, um total de 1.312 óbitos neonatais, um número que expõe as fragilidades do sistema de prevenção, acompanhamento e assistência à mulher grávida, mães e recém-nascidos.
No mesmo período, foram igualmente registadas 63 mortes maternas, segundo dados avançados esta semana pelo Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Rasaque Manhique.
Os números foram divulgados durante o I Fórum Internacional sobre Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, onde o edil reconheceu a necessidade urgente de reforçar as acções de prevenção e de melhorar a assistência prestada às mulheres e crianças.
“São números que revelam a necessidade de reformas nas acções de prevenção, acompanhamento e assistência às mulheres grávidas, mães e também crianças”, afirmou Manhique.
Segundo o presidente do município, o fortalecimento do subsistema comunitário constitui um elemento fundamental para aproximar os cuidados de saúde das populações, permitindo respostas mais eficazes e humanizadas aos desafios que o sector enfrenta.
Na ocasião, a directora executiva da Aliança Global para Vacinas (GAVI), Sania Nishtar, anunciou que a França irá apoiar, nos próximos cinco anos, programas de combate e prevenção da malária, poliomielite, pneumonia, diarreias, sarampo, rubéola e cancro, entre outras doenças, com um financiamento estimado em 275 milhões de dólares norte-americanos.
“É por isso que estou aqui para transmitir, com muita humildade, que a GAVI continuará a apoiar essas vacinas. Ajudaremos Moçambique a introduzir uma nova vacina contra a poliomielite do tipo B”, declarou.
Nishtar sublinhou ainda que o aumento dos casos de cólera registados em 2022 contribuiu para a escassez mundial de vacinas.
A responsável elogiou igualmente o modelo moçambicano de prestação de cuidados de saúde, destacando a integração entre os serviços de atenção primária e os mecanismos de extensão comunitária.
“Quero felicitar as características únicas de Moçambique no sector da saúde, nomeadamente o modelo integrado de prestação de serviços, tanto nos ambientes de atenção primária à saúde como no modelo de extensão”, afirmou.
Na sua opinião, esta experiência poderá ser ampliada e partilhada com outros países africanos.
“Acreditamos que as agências internacionais devem canalizar recursos através dos sistemas governamentais e respeitar a tomada de decisões do país, especialmente no que diz respeito à escolha de parcerias e programas”, concluiu.
(AIM)
MR/pc
Fonte: aimnews
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