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Carregar o smartphone com luz solar. É possível?

Resumo

A evolução dos painéis solares portáteis trouxe ao mercado as primeiras capas de telemóvel com células fotovoltaicas, prometendo energia limpa e gratuita. No entanto, a eficiência dos carregadores solares ainda é significativamente inferior à dos carregamentos tradicionais, com uma eficiência global de apenas cerca de 10%. Além disso, devido à física envolvida, é praticamente impossível criar um painel solar pequeno o suficiente para caber num smartphone e manter o dispositivo funcionando diariamente. O impacto ambiental da produção destas capas solares pode ser igual ou superior ao de uma powerbank de iões de lítio, sendo necessário um carregador solar funcionar cerca de 10 anos para atingir o equilíbrio energético. Assim, apesar de ser uma ideia interessante, ainda não é uma solução viável.

A ideia de ter um smartphone que nunca fica sem bateria porque o sol é o teu powerbank? Pois bem, com a evolução dos painéis solares portáteis, começaram a surgir no mercado as primeiras promessas de capas de telemóvel equipadas com células fotovoltaicas, ou até powerbanks com pequenos painéis.

É obviamente interessante. Afinal, estamos a falar de energia limpa e gratuita. Sendo exatamente por isso que projetos como o da iPowerUp, que promete a “primeira capa solar inteligente do mundo”, enchem facilmente os olhos. Mas… Ainda não estamos lá.

Portanto, quando olhamos para a eficiência pura de conversão de energia, a realidade é que o carregamento tradicional ganha por goleada. Ou seja, uma powerbank comum regista uma eficiência de carregamento na casa dos 64,77%. Pode parecer um valor baixo, mas é a perda normal de energia dissipada durante o processo de transmissão. O problema é que os carregadores solares portáteis nem sequer chegam perto disto.

Os cientistas descobriram que a eficiência global destes pequenos painéis anda perto dos 10%, com as células individuais a não irem além dos 12%. Sim, é energia gratuita, mas o desempenho é medíocre.

De facto, basta o céu ficar nublado ou o sol pôr-se para que o carregador solar se transforme num pisa-papéis perfeitamente inútil. E depois temos a física da coisa. O tamanho de um painel solar está diretamente ligado à quantidade de energia que ele consegue gerar. Conseguir espremer um painel minúsculo o suficiente para caber na traseira de um smartphone e que, ao mesmo tempo, tenha força para o manter vivo no dia a dia é, no panorama tecnológico atual, praticamente impossível.

Devido aos materiais raros e aos processos industriais complexos necessários para fabricar células fotovoltaicas, um carregador solar precisaria de funcionar quase 10 anos seguidos para atingir o ponto de equilíbrio energético. Ou seja, o dispositivo teria de durar uma década só para produzir a mesma energia que foi gasta a fabricá-lo. Na verdade, o impacto ambiental de produzir estas capas solares consegue ser igual ou superior ao de uma powerbank de iões de lítio.

É uma idea gira. Mas ainda não estamos lá.

 

Fonte: Zero Zero


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