InícioInternacionalMundial 2026: Iraque-Noruega, 1-4 (crónica)

Mundial 2026: Iraque-Noruega, 1-4 (crónica)

Resumo

Os bravos 22 jogadores de Noruega e Iraque, após anos de ausência nos Mundiais, enfrentaram-se com sonhos e desafios pessoais. Haaland marcou o primeiro golo aos 29 minutos, seguido por um empate do Iraque. Haaland bisou devido a uma falha defensiva iraquiana, levando a Noruega para a vitória. O jogo despertou após um início morno, com a Noruega a gerir a vantagem na segunda parte, enquanto o Iraque lutava sem sucesso. Apesar das adversidades pessoais de Hussein, o jogo foi marcado pela determinação e emoção de ambos os lados.

Desculpemos os minutos iniciais, que não ficarão na memória de ninguém, tal o reduzido interesse. Imaginemo-nos a cada um de nós com tamanho peso nos ombros: esse, o de subir ao relvado, ter milhares ali à nossa frente, mais uns quantos milhões a ver-nos numa televisão, na maior “montra” possível.

Eles próprios, os bravos 22 que pisaram a relva de Massachusetts, o terão sentido nos anos de infância em que o gosto pelo futebol já não era só semente, mas flor crescida e cultivada: de quatro em quatro anos, havia centenas de jogadores em Mundiais – na Coreia/Japão, em 2002, na Alemanha, em 2006, na África do Sul, em 2010, no Brasil, em 2014, e por aí fora.

Mas, nessas centenas, nunca constavam os “deles” – os ídolos com quem cresceram nos respetivos países.

Vamos a factos: desde 1986 (!) que o Iraque não disputava o Mundial. Voltou a acontecer hoje. Desde 1998, numa brava campanha que só terminou nos oitavos de final e teve direito a uma vitória ao Brasil, que a Noruega não disputava o Mundial. Voltou a acontecer hoje.

Haaland cresceu com esse sonho; já o cumpriu. Hussein, ponta de lança do Iraque, ter-se-á também agarrado a esse objetivo quando a vida o brindava com sucessivas misérias: a morte do pai, assassinado pela Al Qaeda, o desaparecimento do irmão que dura até hoje.

Hoje, quando entraram em campo, os 22 jogadores de Noruega e Iraque – 11 de cada lado - eram meninos à solta, radiantes, a lembrar esses sonhos, certamente também receosos, tal a solenidade da ocasião.

Isso sentiu-se, de resto, nesses primeiros minutos que, como se disse no início desta crónica, não deixaram grandes saudades. Noruega, a jogar em 4x3x3, e Iraque, mais em 4x4x2, iam-se anulando mutuamente.

Chegou a pairar a ideia, de resto, de que este jogo, apesar da história, não teria grande história – o que, felizmente, se veio a revelar um exagerado prenúncio.

É que, corria o minuto 29, e claro que ele tinha de aparecer: Haaland, na primeira chance digna desse nome, não falhou. O lateral Wolfe subiu no terreno, serviu o ponta de lança que, na pequena área, mostrou que aquele é terreno dele: letal, com um leve toque, inaugurou o marcador.

Foi a faísca de que o jogo precisava – o Iraque também despertou e chegaria ao empate, num grande cabeceamento de Hussein, o tal ponta de lança que merecia uma crónica só para ele. Não bastava a morte do pai, o desaparecimento do irmão, o país em guerra: a isso se juntou o interrogatório de que foi alvo há dias, durante 7 longas horas, à chegada aos Estados Unidos da América para disputar o Mundial.

O golo ganhou por isso outros contornos – que rapidamente seriam desfeitos, numa desatenção da defesa do Iraque que praticamente colocou a bola nos pés de Haaland que, é claro, bisou (43m).

A Noruega foi para o intervalo a ganhar e veio para a segunda parte mais preocupada em gerir do que outra coisa; ao invés, o Iraque tentava ter mais bola, espreitava o ataque, mas sem incomodar um tranquilo guarda-redes nórdico.

Houve substituições, entrou Schjelderup, jogador do Benfica, também ele a cumprir um sonho, e foi da cabeça de um outro recém-entrado que veio a certeza da vitória nórdica: ao minuto 77, Ostigard saltou mais alto do que toda a gente e, de cabeça, fez o terceiro da Noruega.

O quarto aconteceria já na última jogada do encontro, num auto-golo de Husseim.

Mais ou menos radiantes, vitórias e derrotas à parte, todos saíram de campo com motivos para sorrir: o sonho de jogar um Mundial de futebol cumpriu-se.

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A FIGURA: Haaland

Por duas vezes, fui à procura do registo e acho que dele até duvidei nas mesmas duas vezes. Mas são factos – ou melhor, números. O ponta de lança tem o impressionante registo de 57 golos… em 51 jogos pela seleção. Os últimos dois foram apontados hoje, frente ao Iraque, na estreia num Mundial. O terceiro também andou perto de ser marcado, mas, vai uma aposta, o avançado não se fica por aqui neste Campeonato do Mundo?

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O MOMENTO: Desatenção fatal (43m)

O Iraque tinha conseguido o empate há minutos, mas deitou tudo a perder quando uma mau passe de um central “à queima” para o guarda-redes foi aproveitado por Haaland para voltar a colocar a Noruega em vantagem que nunca mais largaria – e até ampliaria.

 

Fonte: TVI

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