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Ouro Caminha Para Terceira Queda Semanal Pressionado Pelo Dólar E Pela Fed

Resumo

O ouro enfrenta a terceira semana consecutiva de perdas, devido à valorização do dólar e à postura mais restritiva da Reserva Federal dos EUA, que tem influenciado os investidores. O ouro à vista e os futuros nos EUA registaram quedas de 1,1% e 1,5%, respetivamente. O dólar forte tem pressionado o ouro, tornando-o mais caro para compradores que usam outras moedas. A expectativa de taxas de juro mais altas nos EUA também tem impactado negativamente o metal, com nove dos 19 responsáveis da Fed a considerarem uma subida da taxa diretor em breve. Este cenário desfavorável ao ouro reflete a importância da política monetária na formação dos preços, com a postura mais rígida da Fed a neutralizar o impulso geopolítico que favorecia o metal precioso.

Questões-Chave

O ouro estava esta sexta-feira a caminho da terceira perda semanal consecutiva, pressionado pela valorização do dólar e pelos sinais mais restritivos da Reserva Federal norte-americana, num movimento que voltou a colocar a política monetária no centro das decisões dos investidores.

Segundo a Reuters, o ouro à vista recuava 1,1%, para 4.163,93 dólares por onça, por volta das 03h38 GMT, acumulando uma queda semanal de 1,3%. Já os futuros do ouro nos Estados Unidos, com entrega em Agosto, caíam 1,5%, para 4.181,20 dólares por onça.

A descida reflecte uma mudança de sentimento nos mercados, depois de o metal precioso ter beneficiado, ainda que por pouco tempo, da redução das tensões geopolíticas associadas ao acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão. O efeito desse alívio acabou por ser rapidamente absorvido pela força do dólar e pela leitura mais agressiva dos sinais vindos da Fed.

Dólar Forte Retira Brilho Ao Ouro

A valorização da moeda norte-americana foi um dos principais factores de pressão sobre o ouro. O dólar subiu para o nível mais elevado em um ano, tornando o metal, cotado em dólares, mais caro para compradores que utilizam outras moedas.

Este efeito é particularmente relevante porque o ouro, apesar de continuar a ser visto como activo de refúgio em períodos de incerteza, tende a perder atractividade quando o dólar se fortalece e quando aumentam as expectativas de juros mais elevados nos Estados Unidos.

Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, citado pela Reuters, afirmou que a valorização do ouro após o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão foi de curta duração. Na sua leitura, o dólar voltou a dominar o comportamento do mercado, impulsionado pelo tom mais duro da Fed sob a liderança de Kevin Warsh.

Para o analista, a postura firme do novo presidente da Reserva Federal neutralizou o impulso geopolítico que favorecia o ouro, recordando aos investidores que, no actual contexto, a política monetária continua a ter maior peso na formação dos preços.

Expectativas De Juros Mais Altos Pesam No Metal

O movimento do ouro reflecte também a alteração das expectativas dos investidores relativamente à trajectória das taxas de juro nos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, nove dos 19 responsáveis de política monetária da Fed consideram que será necessário elevar a taxa directora ainda este ano.

Essa leitura reforçou a percepção de que o banco central norte-americano poderá manter uma postura mais restritiva durante mais tempo, sobretudo num contexto em que vários bancos centrais globais estão também a subir os custos de financiamento ou a sinalizar movimentos nesse sentido para conter pressões inflacionistas associadas à guerra no Irão.

Segundo o CME FedWatch Tool, citado pela Reuters, os operadores passaram a atribuir uma probabilidade de 87% a uma subida das taxas de juro nos Estados Unidos em Dezembro, acima dos 61% observados antes da decisão da Fed.

Este ambiente é desfavorável ao ouro porque o metal não oferece rendimento. Quando as taxas de juro sobem, activos remunerados, como obrigações e instrumentos de curto prazo, tornam-se relativamente mais atractivos, reduzindo o apelo do ouro nas carteiras dos investidores.

Goldman Sachs Revê Projecção Em Baixa

A pressão sobre o metal precioso foi reforçada pela revisão das perspectivas da Goldman Sachs. O banco reduziu a sua previsão para o preço do ouro em Dezembro de 5.400 para 4.900 dólares por onça, num cenário em que já não espera cortes de juros pela Fed este ano.

A revisão é relevante porque sinaliza uma mudança de percepção sobre a capacidade do ouro de prolongar ganhos num ambiente de dólar forte e política monetária restritiva. Ainda que o metal mantenha suporte em factores geopolíticos e na procura por activos de reserva, o custo de oportunidade associado às taxas de juro elevadas continua a limitar o potencial de valorização.

A leitura da Goldman Sachs acompanha, assim, uma tendência mais ampla nos mercados: a de que a trajectória do ouro dependerá menos, no curto prazo, dos riscos geopolíticos e mais da orientação da Fed, da evolução do dólar e da persistência das pressões inflacionistas.

Metais Preciosos Recuam Em Bloco

A queda não se limitou ao ouro. Outros metais preciosos também negociavam em terreno negativo, com a prata a cair 2,2%, para 64,36 dólares por onça. A platina recuava 1,9%, para 1.663,03 dólares, enquanto o paládio perdia 1,6%, para 1.258,04 dólares.

Todos estes metais estavam igualmente a caminho de perdas semanais, reflectindo um movimento mais amplo de ajustamento no segmento dos metais preciosos.

A menor actividade nos mercados asiáticos também contribuiu para reduzir a liquidez. Segundo a Reuters, os mercados da China continental e de Hong Kong estiveram encerrados devido ao feriado do Festival do Barco-Dragão, o que limitou a participação de investidores numa sessão já marcada por forte sensibilidade às decisões de política monetária.

Geopolítica Perde Espaço Para A Política Monetária

No plano geopolítico, os investidores continuavam atentos ao desenvolvimento das conversações entre os Estados Unidos e o Irão. A Reuters avançou que o vice-presidente norte-americano JD Vance cancelou uma viagem prevista à Suíça, onde deveria reunir-se com negociadores iranianos para iniciar conversações complexas sobre a implementação de um acordo de 14 pontos entre Teerão e Washington.

Apesar da relevância deste processo, a reacção do mercado sugere que, neste momento, os factores monetários estão a sobrepor-se aos riscos geopolíticos. O ouro, tradicionalmente sensível a períodos de incerteza internacional, está a ser mais condicionado pela expectativa de juros elevados e pela força do dólar.

Para os investidores, o ponto central passa agora por perceber se a Fed manterá o tom restritivo até ao final do ano e se a inflação continuará a justificar novas subidas de juros. Enquanto essa percepção se mantiver, o ouro poderá continuar vulnerável a correcções, mesmo num ambiente internacional ainda marcado por riscos políticos e económicos relevantes.

Fonte: O Económico

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