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Embora estável, produção agrícola global é vulnerável a efeitos da guerra e El Niño

Resumo

A FAO alerta que apesar das perspectivas favoráveis para a produção global de comida, o El Niño e os problemas no comércio de energia e fertilizantes devido à guerra no Oriente Médio podem causar impactos negativos. O relatório destaca a redução no comércio de fertilizantes e preocupações para a próxima temporada agrícola devido à estagnação nas compras em mercados-chave. A produção global de soja deve atingir um recorde, impulsionada pelo Brasil e Rússia, enquanto a produção de açúcar no Brasil diminui devido à preferência pelo etanol. Preveem-se quedas na produção de trigo e aumento na produção de carne e pesca, com destaque para o crescimento na produção avícola e de camarão. Há preocupações com possíveis impactos do El Niño na safra de 2026/27 na Índia e Tailândia.

As perspectivas para a produção global de comida são favoráveis, mas o surgimento do evento climático El Niño e os entraves no comércio de energia e fertilizantes causados pela guerra no Oriente Médio podem alterar este quadro.

Este é o alerta feito pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, em um relatório sobre o panorama alimentar global, lançado nesta quinta-feira.

Mercados sensíveis à crise no Oriente Médio

O economista chefe da agência, Máximo Torero, afirmou que os sistemas agroalimentares parecem robustos em nível de produção, “mas os riscos estão crescendo e muitos deles têm potencial para efeitos rápidos e adversos para o fornecimento e o acesso global”.

O especialista afirmou que é preciso reforçar a resiliência mantendo os fluxos comerciais abertos e a cadeia de suprimentos funcionando, enquanto os países se preparam para choques climáticos locais.

O documento analisa as tendências do mercado de fertilizantes, documentando uma queda de 20 a 25% nos volumes globais de comércio entre janeiro e abril de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Embora tenha havido redução recente dos preços em alta, persistem preocupações para a próxima temporada agrícola de 2026/27, devido à estagnação nas compras em mercados-chave como Europa e América do Norte, especialmente para nitrogênio e fosfato.

As condições de mercado continuam altamente sensíveis a desdobramentos que afetam o trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz, onde se desenrola o conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel. 

Dois homens com capacetes supervisionam o carregamento de grandes sacos a granel em um caminhão dentro de um armazém.
FAO / Giuseppe Bizzarri
Trabalhadores carregam cana-de-açúcar em uma destilaria de etanol no Brasil.

Produção brasileira influencia mercados de soja e açúcar

Sobre as commodities alimentares, um dos destaques positivos do relatório é a produção global de soja de 2025/26, que deve estabelecer um novo recorde de 432,3 milhões de toneladas. Essa produção está associada ao crescimento contínuo das safras no Brasil e na Rússia, compensando as reduções previstas na Argentina, Índia e América do Norte.

Por outro lado, o documento afirma que a produção de açúcar no Brasil deve diminuir pela segunda safra consecutiva, refletindo principalmente uma redução na parcela de cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar, em meio a uma demanda mais forte por etanol.

Existem temores de que o aumento da produção de etanol no Brasil possa restringir a oferta global de açucar e de que as condições associadas ao El Niño possam afetar a safra de 2026/27 na Índia e na Tailândia.

Trigo, carne e pesca

No próximo ano, as colheitas mundiais de trigo, grãos grossos e arroz devem cair em relação aos níveis recordes, mas continuarão elevadas, com a oferta sendo sustentada por estoques abundantes.

Em relação ao trigo, a queda é estimada em 3,8%, para 810,9 milhões de toneladas, devido à colheita menor entre os principais países e regiões exportadores, especialmente Austrália, União Europeia e Estados Unidos, onde atualmente se espera uma queda de 21,3%.

A produção global de carne deve aumentar 1,0%, para 391,3 milhões de toneladas, com a produção avícola aumentando 2,5% enquanto a produção bovina deve diminuir.

No setor de pesca e aquicultura espera-se um crescimento de 1,0% em 2026, chegando a 200,5 milhões de toneladas, puxado pela produção de camarão, salmão e carpa. 

Por outro lado, observa-se uma queda das pescas de captura em 1,1%, principalmente devido à redução das cotas para estoques importantes do Atlântico Norte, incluindo cavala, arenque e possivelmente bacalhau, assim como a anchoveta do Peru.

Fonte: ONU

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