Resumo
O ano de 2026 está a ser marcado pelo "RAMpocalypse", com a Micron a assinar contratos que fixam os preços da memória RAM em valores recorde até 2030. Estes contratos obrigam os clientes a comprar um volume fixo de memória anualmente, com depósitos iniciais avultados. A escassez de componentes, devido à procura crescente por IA, leva a preços elevados, afetando a disponibilidade de gadgets e computadores nos próximos anos. A Micron prevê que a oferta não se equilibre com a procura tão cedo, mantendo os preços altos. Esta situação reflete-se apenas em 40% das receitas da empresa, indicando que os restantes 60% serão vendidos a preços de mercado elevados.
Já estamos oficialmente a viver o “RAMpocalypse”, e ninguém sabe quando é que este pode terminar.
Ou seja, se estavas a rezar para que as coisas acalmassem no próximo ano, tenho péssimas notícias. A Micron, uma das maiores gigantes mundiais no fabrico de chips de memória, acabou de deitar um balde de água gelada na cara dos consumidores.
A empresa revelou que assinou 16 contratos estratégicos gigantescos com os seus maiores clientes (incluindo gigantes da nuvem e da Inteligência Artificial) que trancam os preços da memória RAM em valores recorde… até 2030!
Estes acordos não são contratos normais que se possam rasgar se o mercado mudar. São contratos blindados, não canceláveis, que obrigam os clientes a comprar um volume fixo de memória todos os anos durante a próxima meia década.
O pormenor mais assustador disto tudo é o preço. A Micron definiu uma fasquia mínima que garante à empresa uma margem de lucro bruto brutal, muito acima de qualquer pico alguma vez registado na história da indústria.
Para teres uma ideia do nível de desespero das marcas para garantirem stock de memória, os clientes tiveram de avançar com um depósito inicial de 18 mil milhões de dólares em dinheiro vivo, num total de 22 mil milhões de dólares em compromissos financeiros já transferidos para os cofres da Micron.
Se as marcas vacilarem ou não comprarem o volume combinado, perdem parte deste balúrdio. É o vale-tudo para garantir que os servidores de IA e os futuros gadgets não ficam sem chips.
O CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, foi muito direto! As marcas aceitaram sujeitar-se a estas margens de lucro históricas porque sabem perfeitamente que a escassez de componentes não vai melhorar tão cedo.
Ou seja, mesmo com novas fábricas planeadas para começar a produzir em massa por volta de 2028. A procura gigantesca por causa da IA é tão avassaladora que a Micron assume não fazer a mínima ideia de quando é que a oferta vai conseguir equilibrar-se com a procura.
O pior é que estes contratos representam apenas 40% das receitas da Micron. Significa isto que os restantes 60% da produção vão ser vendidos ao preço normal de mercado que, como deves imaginar, vai continuar a ser negociado a preço de ouro. Portáteis mais caros, telemóveis com especificações capadas e a montagem de PCs de jogos em banho maria… Esta é a realidade que nos espera nos próximos cinco anos.
No fim do dia, fica claro que as fabricantes de chips encontraram a galinha dos ovos de ouro com a crise atual e não têm qualquer pressa em baixar os preços. É o que é. Tu por aí, já estás a sofrer com os preços da memória no teu hardware? Vais adiar a troca de computador e de telemóvel até esta tempestade passar?
Fonte: Zero Zero






