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Vendeu tudo para sustentar o filho e agora é o herói que derrubou a Alemanha

Resumo

Orlando Gill, um guarda-redes paraguaio, passou de vender os seus pertences para sustentar a família a tornar-se herói nacional ao defender dois penáltis e eliminar a Alemanha do Campeonato do Mundo de Futebol. Nascido em San Lorenzo, mudou-se para a Argentina em 2024, onde se destacou e conquistou a titularidade no San Lorenzo de Almagro. Enfrentando dificuldades financeiras devido a problemas de saúde do filho, Gill vendeu tudo o que tinha ligado ao futebol. Após brilhar na seleção paraguaia, a sua atuação segura e duas defesas cruciais contra a Alemanha garantiram a passagem do Paraguai aos oitavos de final, tornando-se uma figura histórica no Mundial. O seu feito ficará marcado para além de Boston, onde se desenrolou o jogo.

Há quatro anos, Orlando Gill vendia as camisolas, as chuteiras e praticamente tudo o que tinha para ajudar a sustentar a família. Esta segunda-feira, tornou-se o herói de todo um país em Boston.

Depois de manter a albirroja em jogo durante 120 minutos, defendeu os penáltis de Kai Havertz e Nick Woltemade e ajudou a eliminar uma das maiores potências do futebol mundial, quebrando um registo histórico: foi a primeira vez que a Alemanha perdeu uma série de grandes penalidades num Campeonato do Mundo.

No final, Gill não escondia a emoção. «É um privilégio. Eliminámos um campeão do Mundo. Isto é para todo o povo paraguaio», afirmou.

Nascido em San Lorenzo, nos arredores de Assunção, nem sequer começou a carreira como guarda-redes. Entre 2012 e 2013 jogava como médio-centro no modesto 13 de Junio, onde os antigos companheiros recordam que era «o diferente» da equipa. Mais tarde mudou de posição e encontrou o caminho que o levaria ao futebol profissional.

Depois de se destacar no San Lorenzo do Paraguai, mudou-se em 2024 para o San Lorenzo de Almagro, na Argentina.

Passou um ano inteiro na equipa secundária até conquistar a oportunidade na formação principal. Em 2025 assumiu definitivamente a titularidade e transformou-se num dos melhores guarda-redes do campeonato argentino, sendo peça fundamental na campanha da equipa, que alcançou as meias-finais do Torneio Apertura.

O caminho até ao sucesso esteve longe de ser fácil.

Quando nasceu o filho Lautaro, Gill ainda dava os primeiros passos no futebol profissional e a situação financeira da família era muito delicada. O bebé enfrentou problemas de saúde e as despesas aumentaram de forma significativa.

Foi então que o guarda-redes tomou uma decisão que dificilmente esquecerá.

Segundo revelou a mulher, Melissa Ávalos, nas redes sociais, vendeu praticamente tudo o que tinha ligado ao futebol: equipamentos do clube, chuteiras e até a camisola da seleção paraguaia de sub-20, uma recordação que nunca conseguiu guardar.

«Vendeu tudo. Literalmente tudo. O importante era conseguirmos pagar as despesas e cuidar do nosso filho», recordou Melissa.

As boas épocas no San Lorenzo abriram-lhe finalmente as portas da seleção orientada por Gustavo Alfaro.

A estreia aconteceu já em 2026 e a aposta revelou-se certeira. Gill foi um dos guarda-redes mais consistentes da fase de grupos, somando 17 defesas e transmitindo uma serenidade que rapidamente conquistou colegas, adeptos e treinador.

Faltava apenas uma noite para deixar de ser uma revelação e passar a ser um protagonista. Ela chegou diante da Alemanha. Depois de uma exibição segura ao longo de 120 minutos, defendeu dois penáltis e conduziu o Paraguai aos oitavos de final, assinando uma das maiores surpresas da competição.

O futebol gosta de criar heróis improváveis. Orlando Gill não precisou de marcar golos nem de fazer discursos. Bastaram-lhe duas defesas para colocar o Paraguai na história dos Mundiais mas, a partir de agora, o seu nome será lembrado muito para lá de Boston.

Fonte: CNN Portugal

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