Resumo
O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, pediu aos Estados Unidos que abordem a questão de Taiwan com cautela durante uma chamada telefónica com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Wang salientou que qualquer movimento em relação a Taiwan pode ter grandes repercussões, num contexto de crescente tensão entre Pequim e Taipé. Ambos concordaram em aplicar os consensos alcançados pelos líderes dos dois países e em manter uma comunicação flexível. A China considera Taiwan parte integrante do seu território e a questão tem sido um ponto sensível nas relações sino-americanas, com os EUA a serem o principal fornecedor de armas à ilha. Este diálogo ocorreu após a cimeira entre Xi Jinping e Donald Trump, onde a questão de Taiwan foi discutida.
"Um pequeno movimento na questão de Taiwan pode afetar toda a situação", afirmou Wang, num contexto de crescente tensão entre Pequim e Taipé.
A conversa teve lugar em 30 de junho e o respetivo conteúdo foi divulgado esta quinta-feira pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Segundo o comunicado, Wang defendeu que a construção de uma "relação de estabilidade estratégica construtiva" entre a China e os Estados Unidos "é o que desejam os povos dos dois países e o que espera a comunidade internacional".
"Ambas as partes devem eliminar as interferências, ultrapassar os obstáculos e avançar firmemente nesta direção correta", afirmou o ministro, acrescentando que os dois países "devem manter sempre o espírito de igualdade, respeito e benefício mútuo" e transformar os consensos alcançados pelos respetivos presidentes em "políticas concretas e medidas eficazes".
"Construir uma relação de estabilidade estratégica construtiva não pode ficar pelas palavras. Exige ação, caminhar na mesma direção e perseverança. Para isso, ambas as partes devem alargar a lista de áreas de cooperação, desenvolver mais temas positivos na agenda, reduzir a lista de problemas e gerir todos os riscos latentes", acrescentou.
O comunicado chinês não reproduz as declarações de Marco Rubio, limitando-se a descrever a conversa como "positiva e construtiva" e a indicar que ambos concordaram em "aplicar conjuntamente os importantes consensos alcançados pelos chefes de Estado" e em "manter uma comunicação flexível".
A chamada ocorreu cerca de um mês e meio após a cimeira realizada em Pequim entre os Presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a qual ambos abordaram, entre outros temas, a questão de Taiwan, ilha autogovernada que Pequim considera uma "parte inalienável" do território chinês.
Há mais de sete décadas que Washington ocupa uma posição central nas disputas entre Pequim e Taipé, sendo o principal fornecedor de armamento a Taiwan. Embora não mantenha relações diplomáticas formais com a ilha, os Estados Unidos poderão defendê-la em caso de conflito com a China.
Esta posição tem sido uma fonte permanente de fricção entre as duas maiores potências mundiais, com Pequim a considerar a questão de Taiwan como a principal "linha vermelha" nas relações sino-americanas.
Fonte: TVI






