Resumo
A tecnologia atómica em África está a tornar-se uma realidade palpável, com o potencial da juventude africana a ser destacado como crucial no desenvolvimento do continente. Iniciativas de formação especializada, como bolsas para mestrados em áreas nucleares, estão a ser implementadas para capacitar jovens cientistas, com um foco especial em mulheres. Cerca de um terço dos bolseiros da Agência Internacional da Energia Atómica são africanos, refletindo um investimento que promove debates internacionais de qualidade e soluções práticas para desafios estruturais. A preparação técnica e visão pragmática dos jovens cientistas africanos têm sido fundamentais para consolidar a capacitação da juventude como prioridade no futuro da tecnologia atómica na região.
A afirmação é do diretor-adjunto do Escritório da Agência Internacional da Energia Atômica, Aiea, em Nova Iorque. Nesta entrevista à ONU News, Nuno Luzio apresentou uma visão sobre o papel que as novas gerações desempenham no desenvolvimento do continente.
Potencial imediato da juventude africana
“Sem dúvida, e no fundo o potencial da juventude africana na área do nuclear não está no amanhã, está no hoje, já está a acontecer. Por exemplo, no ano passado nós criamos 20 bolsas. Poderão dizer que estes são poucos, mas os números, no fundo, multiplicam-se porque as pessoas treinam outras pessoas. Portanto, há um efeito multiplicador nesta capacitação, mas, por exemplo, no ano passado houve 20 bolsas criadas para mestrados no Gana e no Egito, por exemplo, na área nuclear.”
África é reconhecida globalmente pela vitalidade da sua estrutura demográfica, sendo uma autêntica fonte de juventude.
Capacitação da juventude é uma prioridade absoluta para o futuro da tecnologia atômica na região africana
Esta massa jovem é vista como a resposta natural para cobrir necessidades urgentes de pessoal qualificado em setores estratégicos como a saúde e a agricultura, onde as aplicações nucleares oferecem soluções inovadoras.
Iniciativas e programas de formação em marcha
Longe de ser apenas um plano de longo prazo, a capacitação destes jovens já se encontra em marcha através de iniciativas concretas e programas de formação especializada. O foco central da estratégia é a criação de um efeito multiplicador sustentável.
Um dos pilares deste esforço é o programa de bolsas direcionado exclusivamente a jovens mulheres cientistas que desejam avançar nos seus estudos em ciências e tecnologias nucleares. O entrevistado realça o forte protagonismo e a expressiva representação de estudantes africanas nesta iniciativa.
“É uma bolsa só para jovens mulheres cientistas que querem estudar áreas do nuclear, e que vem de todo o mundo. Esta bolsa o que faz é ajudar no pagamento das propinas e dar um estipêndio para viver. Portanto, basicamente paga um mestrado, e nós temos mais de 800 jovens mulheres que já tiveram acesso a estes mestrados e estão a concluí-los, ou já concluíram.”
Preparação técnica e visão pragmática
A relevância do continente nos programas da agência reflete-se nos dados estatísticos globais.
Atualmente, cerca de um terço de todos os bolseiros, tanto no programa focado em mulheres cientistas quanto no programa geral de cooperação técnica da Aiea, é de origem africana.
Nuno Luzio acredita que este investimento tem um impacto direto na qualidade dos debates internacionais, onde a presença de jovens cientistas africanos se destaca pela excelente preparação técnica e por uma abordagem prática.
Segundo o diretor-adjunto, ao serem confrontados com desafios estruturais específicos no terreno, estes jovens trazem para as reuniões técnicas contributos pertinentes e perspetivas realistas.
Desta forma, consolida-se a capacitação da juventude como uma prioridade absoluta para o futuro da tecnologia atômica na região.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
Fonte: ONU






