InícioRevistaTecnologiaAndam a colar papel de alumínio nas janelas e há uma explicação

Andam a colar papel de alumínio nas janelas e há uma explicação

Se andas nas redes sociais nos últimos dias, é provável que já tenhas visto as imagens: janelas de prédios inteiros forradas com folha de alumínio, mantas térmicas coladas aos vidros, apartamentos transformados em autênticas fornalhas embrulhadas em prata. A cena parece saída de um filme, mas é bem real e está a espalhar-se pelas cidades europeias à medida que os termómetros disparam. Mas porque andam a colar papel de alumínio nas janelas?

A pergunta que toda a gente faz é a mesma: porquê? E, sobretudo, isto serve para alguma coisa ou é só mais uma moda desesperada?

A resposta é simples: calor. Com temperaturas a bater recordes em várias cidades europeias, muita gente recorreu a uma solução improvisada e barata para tentar manter a casa habitável. A ideia é usar o alumínio como uma espécie de espelho térmico, o material reflete a radiação solar e devolve parte do calor para o exterior, em vez de o deixar atravessar o vidro e cozinhar a divisão.

Segundo o arquiteto francês Vincent Parasie, à frente do Atelier Parasie Arquitectes e citado pela imprensa espanhola, a lógica funciona melhor quando o alumínio é colocado pela parte de fora do vidro. Assim, a radiação é travada antes de entrar. Se colares a folha por dentro, o calor já atravessou o vidro e a eficácia cai bastante.

Sim e não. O próprio arquiteto avisa que se trata de uma solução de emergência, “económica e superficial”, pensada para reagir a um pico de calor pontual, não para durar. O material não aguenta a intempérie e acaba por se descolar, além de que tapar as janelas desta forma tem um preço: perdes luz natural e a ligação visual com o exterior, dois fatores importantes para o bem-estar dentro de casa.

Por outras palavras, pode baixar uns graus na pior das horas, mas está longe de ser ideal. Na prática, estas imagens são mais um sintoma do que uma solução: mostram como grande parte das habitações continua mal preparada para episódios de calor extremo, que tendem a ser cada vez mais frequentes.

Se puderes fazer obras, a aposta mais eficaz está na “pele” do edifício, janelas, fachadas e cobertura. Trocar caixilharias antigas por modelos com rotura de ponte térmica e vidros duplos com controlo solar melhora imenso o conforto: filtram a radiação e os infravermelhos sem bloquear a luz. As soluções tradicionais também continuam a valer ouro, estores exteriores, portadas ou brise-soleil travam o sol antes de ele chegar ao vidro, que é onde a batalha se ganha.

Aqui é onde a maioria das pessoas fica presa: apartamento alugado, nada de trocar janelas nem mexer na fachada. A boa notícia é que há estratégias que não custam quase nada.

A mais eficaz é o arrefecimento noturno. Assim aproveita as horas em que a temperatura lá fora desce para renovar o ar e expulsar o calor acumulado durante o dia. Mas não basta abrir uma janela, precisas de criar corrente. Ou seja, abrindo janelas em fachadas opostas ou com a ajuda de um ventilador para empurrar o ar. De dia, mantém tudo fechado e às escuras nas divisões mais expostas ao sol.

No fundo, o papel de alumínio é o gesto de quem não tem melhores recursos à mão. Funciona como remendo, mas o verdadeiro conforto de verão joga-se muito antes de chegar a folha de prata à janela.

 

Fonte: Zero Zero

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