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Lucros da banca moçambicana caem quase 39% para 208 milhões de euros em 2025

Os lucros da banca moçambicana caíram 38,85% em 2025, para 15,13 mil milhões de meticais (208 milhões de euros), apesar de o setor manter níveis considerados robustos de capitalização e liquidez, segundo o banco central.

De acordo com as conclusões do Relatório de Estabilidade Financeira de 2025 do Banco de Moçambique, os resultados líquidos do setor ascenderam a 15,13 mil milhões de meticais (208 milhões de euros), uma redução de 38,85% face ao ano anterior, o que compara com cerca de 24,74 mil milhões de meticais (339 milhões de euros) em 2024, segundo cálculo da Lusa com base nos dados do relatório, que atualiza estimativas anteriores.

Os lucros dos bancos moçambicanos já tinham recuado 21,9% em 2024, após a subida de 8,12% em 2023.

Apesar da quebra dos lucros no ano passado, o banco central considera que o setor continuou sólido, destacando que o rácio de solvabilidade global atingiu 28,14%, muito acima do mínimo regulamentar de 12%.

“O setor bancário permaneceu estável, com rendibilidade satisfatória e níveis adequados de capitalização e liquidez”, refere o relatório.

Ainda segundo o Banco de Moçambique, a redução dos lucros resultou do aumento dos custos operacionais, sobretudo com pessoal, e da diminuição dos resultados de exploração, refletindo o aumento das perdas por imparidade.

O relatório assinala que os custos com pessoal cresceram 5,69% em 2025 e acrescenta que o aumento das imparidades ocorreu apesar da melhoria registada na qualidade da carteira de crédito, com o rácio de crédito em incumprimento a recuar de 9,31% em 2024 para 7,47% em 2025.

O rácio de cobertura de liquidez de curto prazo fixou-se em 60,46%, acima do mínimo regulamentar de 25%, enquanto o rácio de alavancagem atingiu 12,88%.

Os rácios de rendibilidade dos ativos (ROA) e dos capitais próprios (ROE) fixaram-se em 2,16% e 8,63%, respetivamente, mantendo-se, segundo o banco central, em níveis satisfatórios.

O relatório aponta ainda que os três bancos de importância sistémica — BCI, do grupo Caixa Geral de Depósitos, Millennium BIM, do BCP, e Standard Bank — continuam a dominar o mercado, embora a sua quota conjunta tenha continuado a diminuir, refletindo uma crescente concorrência no sistema bancário.

Dados do Banco de Moçambique indicam que o setor bancário moçambicano integra 15 bancos comerciais, além de microbancos, cooperativas de crédito e outras instituições financeiras.

A Lusa noticiou em maio que os cinco maiores bancos em Moçambique, incluindo BCI, Millennium BIM e Standard Bank, registaram uma queda agregada de 70,4% nos resultados líquidos de 2025, penalizados pela exposição à dívida pública moçambicana, após cortes de ‘rating’.

De acordo com dados compilados pela Lusa a partir dos relatórios e contas divulgados pelos cinco maiores bancos, o conjunto dessas instituições totalizou lucros de 5.099 milhões de meticais (68,7 milhões de euros), sofrendo uma diminuição dos resultados líquidos de 12.131 milhões de meticais (163,5 milhões de euros) em termos absolutos.

O desempenho dessas instituições foi fortemente penalizado pela deterioração do risco soberano, reforço de imparidades associadas à dívida pública e contexto macroeconómico adverso, segundo informação reportada pelos próprios bancos nos respetivos relatórios e contas.

 

Fonte: Observador

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