InícioSaúdeDados da OMS mostram que combate à poluição do ar está estagnado

Dados da OMS mostram que combate à poluição do ar está estagnado

Resumo

Os dados da Organização Mundial da Saúde revelam desigualdades críticas na poluição do ar, com países de baixa e média rendas a enfrentar níveis de exposição significativamente mais altos do que as nações de alta renda, aumentando os riscos para a saúde pública. Em 2023, 6,5 bilhões de pessoas nesses países estavam expostas a níveis acima das diretrizes da OMS, com 2 bilhões a usar fogões poluentes. A exposição à poluição contribui para doenças crónicas, afetando principalmente comunidades vulneráveis. A Ásia lidera em níveis de poluição, mas também em reduções, enquanto regiões como África e Ásia Ocidental mantêm níveis estáveis. A OMS destaca a importância de dados confiáveis e a colaboração para garantir ar e energia limpos para proteger a saúde global.

Dados sobre a poluição atmosférica e a poluição do ar em ambientes domésticos mostram desigualdades críticas: embora os níveis globais de material particulado fino tenham diminuído até 2020, desde então permanecem praticamente inalterados. Além disso, países de baixa e média rendas continuam enfrentando níveis de exposição significativamente maiores do que as nações de alta renda, aumentando os riscos para a saúde pública e para o meio ambiente.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgou esses dados sobre os indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, que monitoram a relação entre poluição do ar e saúde. 

Informação confiável ajuda a enfrentar o problema  

Segundo a agência, não se pode enfrentar a crise climática e da poluição do ar nem proteger a saúde pública sem informações confiáveis que evidenciem as desigualdades globais.

Bruce Gordon, diretor interino do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Migração da OMS, diz que é preciso colocar a ciência no centro das ações de monitoramento. Além disso, é fundamental fortalecer a colaboração multissetorial para garantir o acesso universal ao ar limpo e à energia limpa, protegendo a saúde das pessoas e do planeta — agora e para as futuras gerações.

Uma central termoelétrica com uma grande torre de resfriamento emitindo uma densa coluna de fumaça, vista do outro lado de um corpo d'água ao nascer ou pôr do sol.
Unsplash/Hassan Afridhi
A poluição do ar, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, é um problema sério nas cidades indianas

Principais conclusões sobre as desigualdades globais

Em 2023, o número de pessoas expostas à qualidade do ar acima da meta intermediária menos rigorosa de 35 µg/m³, estabelecida pelas Diretrizes Globais de Qualidade do Ar da OMS, foi 13 vezes maior nos países de baixa e média rendas do que nos países de alta renda, afetando 6,5 bilhões de pessoas.

Em 2024, aproximadamente 2 bilhões ainda dependiam de fogões ineficientes e combustíveis poluentes para cozinhar, o que resulta em elevados níveis de poluentes nocivos dentro e ao redor das residências. 

A exposição tanto à poluição atmosférica quanto à poluição doméstica contribui para uma elevada carga de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão, afetando principalmente as comunidades mais vulneráveis e as populações de maior risco.

Como consequência da exposição a níveis inseguros de poluição do ar, os países de baixa e média renda concentram 90% desses impactos, sendo que 83% estão relacionados a doenças crônicas não transmissíveis, como doença cardíaca isquêmica, AVC, doenças respiratórias crônicas e câncer de pulmão.

Tendências regionais mostram progresso desigual

Em escala regional, os níveis e as tendências do material particulado fino apresentam grandes diferenças.

A Ásia, por exemplo, concentra os maiores níveis de poluição do ar, mas também demonstra os maiores avanços na redução desses níveis. Em contraste, regiões como África, Ásia Ocidental e Norte da África permaneceram praticamente sem mudanças na última década.

Na terça-feira, a OMS realizou dois eventos online sobre o tema. A programação incluiu uma apresentação das metodologias utilizadas e da participação dos países no processo de monitoramento, seguida de exposições dos escritórios regionais da OMS sobre as tendências de longo prazo da poluição do ar e os planos regionais de ação.

Representantes dos Estados-membros também compartilharam experiências nacionais sobre o fortalecimento do monitoramento da qualidade do ar e o alinhamento dos padrões nacionais às diretrizes da OMS para qualidade do ar.

Usina elétrica industrial com múltiplas chaminés emitindo fumaça contra um céu ao pôr do sol, situada ao lado de um corpo d'água.
Unsplash/Maxim Tolchinskiy
Emissões de CO2 e poluição agravam crise climática

A realidade na cidade e nas áreas rurais

Nas cidades, a poluição do ar geralmente é mais elevada do que nas áreas rurais. No entanto, os centros urbanos apresentaram reduções significativas independentemente do nível de renda. Já nas áreas rurais, o progresso varia conforme a renda dos países, sendo que em alguns países de baixa renda os níveis de poluição continuam aumentando.

Um padrão semelhante de desigualdade também é observado no acesso à energia limpa para cozinhar. Embora esse acesso tenha praticamente dobrado em grande parte da Ásia desde 2010, o número de pessoas sem acesso continua crescendo na Oceania (exceto Austrália e Nova Zelândia), na África Subsaariana, na Ásia Ocidental e no Norte da África.

Nas áreas urbanas, 89% da população tem acesso a combustíveis e tecnologias limpas para cozinhar. Entretanto, dos 2 bilhões de pessoas que ainda não possuem esse acesso, 1,5 bilhão vive em áreas rurais.

Somente na África Subsaariana, cerca de 970 milhões de pessoas ainda não têm acesso à energia limpa para cozinhar, número que pode atingir 1 bilhão até 2027. Até 2030, estima-se que 58% do déficit global de acesso esteja concentrado nessa região.

Indicadores monitorados

Os novos dados concentram-se em três importantes indicadores de saúde ambiental monitorados pela OMS: taxa de mortalidade atribuída à poluição do ar ambiente e doméstica (ODS 3.9.1), proporção da população que utiliza combustíveis e tecnologias limpas (ODS 7.1.2) e níveis anuais de material particulado fino (PM2,5) nas cidades (ODS 11.6.2). 

Todos esses esforços apoiam a meta da OMS de reduzir em 50% a mortalidade relacionada à poluição do ar até 2040, além de contribuir para o objetivo dos ODS de assegurar acesso universal à energia limpa para cozinhar até 2030 e para a ambição global de eliminar a pobreza energética relacionada ao preparo de alimentos.

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra. 

Fonte: ONU

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