Sempre que me perguntam qual é o melhor iPhone para comprar sem gastar uma fortuna, a minha resposta desilude muita gente. Aliás, nos tempos que correm, acaba por fazer muito sentido dar uma vista de olhos no lado dos usados ou recondicionados. Afinal de contas, o iPhone é um excelente smartphone e, verdade seja dita, mesmo um modelo com dois ou três anos consegue dar um baile a muitos gama média do ecossistema Android.
No entanto, o mercado de segunda mão está cheio de rasteiras ocultas que podem transformar um aparente bom negócio num pesadelo financeiro a longo prazo.
De facto, com as novas regras da Apple, que exigem a validação direta dos servidores de Cupertino para quase todas as peças internas, o risco aumentou. Se comprares um aparelho que tenha componentes falsificados ou reparados numa loja de vão de escada, vais ter problemas sérios na próxima atualização.

O primeiro grande entrave está no software.
Claro que podes olhar para um iPhone 15 usado e achar que estás a fazer o negócio do ano porque o design é moderno e o preço está apelativo. Só que há um pormenor muito importante! O iPhone 15 base é o modelo mais recente da marca que não suporta as funcionalidades da Apple Intelligence. A Apple mudou o foco do desenvolvimento do iOS para a inteligência artificial, e o hardware mais antigo está a ficar para trás muito mais depressa do que no passado.
O futuro iOS 27 ainda vai correr no velhinho iPhone 11, mas vai nascer completamente limitado.
Para além disso, a famosa garantia de sete anos de atualizações da Apple já não é uma ciência exata. Basta ver o que aconteceu recentemente com o watchOS 27, que deixou cair o suporte para o Apple Watch Series 8 e para o Ultra original com apenas quatro anos de mercado. No digital, o investimento num equipamento antigo desvaloriza-se à velocidade da luz.
Outro problema óbvio é que vais levar para casa tecnologia ultrapassada. A Apple tem feito melhorias brutais na eficiência dos consumos e na dissipação térmica. A partir do iPhone 17 Pro, por exemplo, a marca abandonou o titânio e introduziu uma câmara de vapor para arrefecer o processador, garantindo que o telemóvel não ferve quando puxas por ele. Se recuares um ou dois anos na gama base, ficas sem o ecrã ProMotion de 120Hz, sem o Botão de Ação ou sem o Controlo da Câmara.
O espaço disponível é outra dor de cabeça. Enquanto a gama iPhone 17 arranca finalmente nos 256GB de armazenamento, os modelos do iPhone 13 ao iPhone 16 vinham limitados a uns curtos 128GB na versão base. Pior ainda: se fores para um iPhone 12 ou um iPhone SE de 2022, podes levar uma versão de 64GB, o que em pleno ano de 2026 é manifestamente curto e impraticável para o dia a dia.

A Apple oferece um ano de garantia internacional em produtos novos, e claro, a garantia mínima na Europa tem de ser cumprida. Mas, no mercado de usados a probabilidade de o aparelho já estar fora da cobertura legal é enorme. E se não tiveres um seguro AppleCare+ ativo, algo que só pode ser subscrito nos primeiros 60 dias após a compra original, qualquer azar vai doer muito no orçamento.
Caso o ecrã parta ou a capa de vidro traseira rache, prepara a carteira.
Comprar a um desconhecido no Facebook Marketplace ou em plataformas de recondicionados sem garantias sólidas é o equivalente a comprar um carro usado sem abrir o capô. É impossível saber através de fotografias se o telemóvel tem componentes trocados, se já apanhou água ou se está infetado com algum tipo de malware para te roubar os dados bancários. O mínimo que deves exigir antes de fechar negócio é uma foto do número de série. Isto para verificares o histórico do equipamento no site da Apple.
Para fechar a coisa, temos a inevitável degradação da bateria. É perfeitamente normal que um iPhone perca cerca de 10% da sua capacidade original logo no primeiro ano de uso intensivo. Se comprares um modelo com dois ou três anos, vais receber um equipamento que precisa urgentemente de uma bateria nova. E claro, a troca não é nada barata. Anda à volta dos 100€.
Fonte: Zero Zero






