Por: Virgílio Timana
A Fundação Fernando Leite Couto acolhe, no próximo dia 16 de Julho, às 18h00, o espectáculo de dança contemporânea "Ancestralidade Vital", uma criação do coreógrafo moçambicano Pak Ndjamena que propõe uma reflexão sobre a permanência das heranças ancestrais no corpo e a forma como estas continuam a moldar a identidade e a experiência humana.
A obra parte de duas questões centrais: que memórias habitam o corpo e que forças ancestrais continuam a mover o ser humano. A partir desta premissa, o espectáculo combina movimento, arte sonora, gravações de campo, música electrónica ao vivo e síntese analógica, construindo uma linguagem artística que estabelece um diálogo entre tradição e contemporaneidade.
A concepção e coreografia são assinadas por Pak Ndjamena, enquanto a composição musical e a performance sonora estão a cargo de Nandele Maguni. As vozes gravadas pertencem a Nilegio Cossa, contribuindo para a dimensão sensorial da criação.
Pak Ndjamena, nome artístico de Bernardo Guiamba, é reconhecido como um dos principais nomes da dança contemporânea moçambicana. Para além do seu percurso como bailarino e coreógrafo, desenvolve trabalho nas áreas da música, do teatro e da promoção cultural, distinguindo-se por uma abordagem multidisciplinar que coloca o corpo como espaço de memória, identidade e transformação.
Segundo o jornal Notícias, o artista conquistou, em 2019, o primeiro lugar na categoria de dança dos Prémios Mozal Artes e Cultura. Ao longo da sua carreira, apresentou mais de duas dezenas de criações em diferentes contextos artísticos e consolidou uma presença regular em palcos nacionais e internacionais.
Com mais de vinte anos de actividade, Pak Ndjamena colaborou com coreógrafos africanos e europeus, apresentou espectáculos em mais de 15 países e participou na criação e interpretação de mais de 20 peças. O seu trabalho distingue-se pela forma como articula o corpo enquanto arquivo vivo, território de pertença e veículo de transmissão de memórias colectivas.
De acordo com a plataforma Futuros Criativos, o artista foi profundamente influenciado pelas danças da África Ocidental, da África do Sul e de Moçambique, tendo posteriormente aprofundado a sua formação em dança contemporânea. A colaboração com criadores africanos e europeus permitiu-lhe expandir a sua linguagem artística e explorar novas formas de expressão, mantendo sempre uma forte ligação às suas raízes africanas. É nessa relação entre identidade local e visão universal que sustenta a convicção de que a arte constitui uma linguagem comum capaz de aproximar culturas e pessoas.
A apresentação de "Ancestralidade Vital" integra a programação cultural da Fundação Fernando Leite Couto e oferece ao público uma proposta artística que alia investigação estética, reflexão sobre a memória e experimentação performativa, reafirmando o papel da dança contemporânea como espaço de diálogo entre o passado e o presente.





