InícioNacionalCrónicaIMPACIÊNCIA NO TRÂNSITO

IMPACIÊNCIA NO TRÂNSITO

Por: Sara Seda

Mal a luz verde acende, o carro de trás já dispara a buzina como se tivesse esperado uma eternidade. É como se o semáforo fosse um juiz de corrida olímpica e nós, pobres mortais, estivéssemos atrasados para ganhar medalha. O curioso é que esse “eterno atraso” dura apenas meio segundo, mas para o condutor impaciente é tempo suficiente para os nervos estarem a flor da pele.

Trombetas de impaciência, tambores de nervosismo e violinos desafinados de stress. O maestro? O próprio cidadão apressado, que acredita que o mundo gira na velocidade da sua pressa.

A buzina, nesse contexto, deixou de ser apenas um alerta, tornou-se linguagem: “Anda logo!”, “Sai da frente!”, “Eu tenho pressa!”, frases curtas e mal-humoradas. É quase um dicionário sonoro da impaciência, quem precisa de palavras quando se pode gritar com o carro?

No fundo, o trânsito revela mais sobre nós do que gostaríamos de admitir; a buzina é o espelho da nossa falta de paciência, da pressa em chegar sem saber bem aonde. É como se estivéssemos todos num campeonato: quem buzina primeiro ganha… nada, apenas mais stress e olhares atravessados.

Talvez um dia aprendamos que o silêncio também anda, que esperar dois segundos não mata ninguém e que a buzina, afinal, não é varinha mágica.

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