Por: Gentil Abel
A conferência alusiva ao Dia Internacional das Mulheres Viúvas decorreu esta Sexta-feira, no Átrio do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, sob o lema "Levantar e Reconstruir: A Força da Viúva para Recomeçar". O encontro reuniu representantes do Governo, organizações da sociedade civil e mulheres viúvas para discutir os principais desafios enfrentados por este grupo, com destaque para iniciativas de empoderamento económico e financiamento de pequenos projectos.
Durante o evento, a fundadora do projeto Strong Woman, Palmira Mucavel, explicou que a organização nasceu da sua experiência pessoal de luto, transformada numa missão de apoiar outras mulheres que enfrentam a viuvez.
Segundo Palmira Mucavel, a iniciativa inspira-se na resolução das Nações Unidas que instituiu o Dia Internacional das Mulheres Viúvas, assinalado anualmente a 23 de junho, com o objectivo de dar visibilidade às dificuldades vividas por milhares de mulheres que, muitas vezes, enfrentam a dor e a exclusão em silêncio.
A fundadora afirmou que um dos principais objetivos da Strong Woman é tornar visível uma realidade que, durante muitos anos, permaneceu pouco debatida. Para ela, a viuvez continua a ser um tema marcado pelo silêncio, apesar dos inúmeros desafios sociais e económicos que afetam estas mulheres.

Além disso, Palmira Mucavel destacou que as viúvas enfrentam diversas dificuldades, entre elas a instabilidade financeira, a insegurança e a rejeição social. Segundo explicou, muitas mulheres passam a ser ignoradas ou marginalizadas depois da morte do marido, perdendo o apoio que antes encontravam no seio da família e da comunidade.
Nesse sentido, apelou à sociedade para mudar a forma como encara as mulheres viúvas, lembrando que estas continuam a desempenhar vários papéis na sociedade, como mães, trabalhadoras, membros de igrejas e profissionais. Por isso, defendeu que elas necessitam de apoio emocional e social para conseguirem reconstruir as suas vidas.
A fundadora da Strong Woman considerou ainda que o processo de luto é delicado e deve ser respeitado, uma vez que cada mulher vive a perda de forma diferente. Acrescentou que, nos primeiros momentos após a morte do companheiro, muitas viúvas enfrentam sentimentos de desorientação e solidão, situação que exige maior compreensão por parte das famílias, amigos e instituições religiosas.
Palmira Mucavel lamentou que, em muitos casos, as viúvas sejam abandonadas por familiares e pessoas próximas logo após a perda do esposo, precisamente quando mais necessitam de apoio. Por isso, defendeu uma mobilização da sociedade para garantir que essas mulheres não enfrentem esse momento sozinhas.
No plano económico, a responsável explicou que a perda do parceiro também compromete a estabilidade financeira das famílias, dificultando a continuidade de pequenos negócios que muitas mulheres desenvolviam em conjunto com os maridos.
Por essa razão, defendeu a criação de programas de apoio à geração de renda, sugerindo que o Governo, empresas socialmente responsáveis e instituições financeiras promovam iniciativas de financiamento e disponibilizem linhas de crédito com condições facilitadas para ajudar as viúvas a manterem os seus negócios e assegurarem o sustento dos seus filhos.
Entretanto, a Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Ferrão Alane, reafirmou o compromisso do Governo em continuar a apoiar organizações que trabalham na protecção e promoção dos direitos das mulheres viúvas em Moçambique.
A governante considerou que o país já dispõe de instrumentos legais capazes de proteger este grupo, destacando a Lei da Família e a Lei das Sucessões, recentemente revista para reforçar a proteção das mulheres.
Contudo, Ivete Ferrão Alane reconheceu que o maior desafio não está na existência da legislação, mas sim na sua implementação efectiva. Segundo afirmou, é necessário divulgar amplamente essas leis, garantir que a população conheça os seus direitos e incentivar a denúncia de casos em que as viúvas sejam privadas dos seus bens patrimoniais após a morte dos maridos.




