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Mais de 2.200 pessoas em situação de rua, mendicidade e trabalho infantil em Maputo, afirma relatório

Resumo

A cidade de Maputo, em Moçambique, identificou 2.202 pessoas em situação de rua, mendicidade e trabalho infantil entre julho de 2025 e junho de 2026, de acordo com o Relatório Anual da Campanha sobre Assistência à População em Situação de Rua. A pobreza extrema, desemprego e desestruturação familiar são as principais causas apontadas. Homens adultos representam a maioria dos casos, seguidos por crianças do sexo masculino, mulheres adultas e pessoas com deficiência. As intervenções visam abordar fatores estruturais e culturais, como a normalização da mendicidade. A concentração de pessoas em situação de rua ocorre em diversos locais, exigindo uma resposta coordenada entre entidades públicas, sociedade civil e setor privado. A campanha destaca a importância da continuidade das ações e do reforço dos recursos para combater a mendicidade e a exclusão social na cidade.

A capital moçambicana registou 2.202 pessoas em situação de rua, mendicidade e trabalho infantil entre julho de 2025 e junho de 2026, sendo a pobreza extrema, desemprego e desestruturação familiar as principais causas, indica-se num relatório.

Dos 2.202 casos identificados, 1.528 correspondem a pessoas que vivem na rua, 549 a praticantes de mendicidade e 125 a crianças em situação de trabalho infantil, indica-se no Relatório Anual da Campanha sobre Assistência à População em Situação de Rua, Praticantes de Mendicidade e Trabalho Infantil, divulgado pelo Serviço de Assuntos Sociais do Conselho dos Serviços de Representação do Estado na Cidade de Maputo.

Segundo o relatório, consultado esta sexta-feira pela Lusa, entre a população a viver na rua predominam homens adultos, com 833 casos, seguindo-se 339 crianças do sexo masculino, 258 mulheres adultas e 67 pessoas com deficiência.

“As intervenções permitiram identificar causas estruturais, [entre os quais] fatores sociais [como] pobreza extrema, desemprego, desestruturação familiar e exclusão social”, refere-se no documento, que aponta igualmente fatores culturais, como a normalização da esmola e a exploração económica de crianças.

Os principais focos de concentração de pessoas em situação de rua em Maputo localizam-se em edifícios abandonados, espaços públicos, zonas comerciais, mercados, semáforos e terminais de transporte, sobretudo no distrito municipal Kampfumu, o que exige uma resposta coordenada entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e setor privado.

“A problemática da população em situação de rua na cidade de Maputo constitui um desafio estrutural que exige uma abordagem integrada, contínua e orientada por resultados”, sublinha-se.

No documento refere-se ainda que as equipas realizaram intervenções três vezes por semana, incluindo identificação, registo social, apoio psicossocial, encaminhamento para instituições e reintegração familiar, recorrendo igualmente a uma base de dados informatizada para monitorizar os casos.

As atividades da campanha decorreram entre julho de 2025 e junho de 2026, tendo sofrido uma desaceleração entre dezembro e fevereiro devido ao período festivo e às cheias que afetaram a capital, sendo retomadas em março com atualização de dados, reorganização das equipas e reforço das ações de sensibilização.

“O balanço das atividades demonstra que a campanha constitui um marco estratégico no combate à mendicidade e à exclusão social na cidade de Maputo”, conclui-se no relatório, no qual se defende a continuidade das ações, o reforço dos recursos e da coordenação multissetorial para reduzir o fenómeno.

 

Fonte: Observador

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