Por: Sara Seda
Antes mesmo de o carro arrancar, já há quem decida o destino, não o destino final, mas o lugar onde vais sentar, quanto vais pagar e até se a tua trouxa merece prioridade. Esse personagem urbano chama-se modjero, o maestro das filas de transporte.
Ele não dirige, não cobra, mas dita regras com a autoridade de quem conhece cada banco do chapa como se fosse um tabuleiro de xadrez. Se vais até ao terminal, prepara-te para o último banco de trás, se tens pressa, talvez consigas um assento à frente, mas só se o modjero achar que o teu paperback de compras compensa a viagem curta, e atenção: as mamãs da trouxa são sempre prioridade, afinal, pagam mais.
O modjero recebe a sua comissão, entre uns míseros 5 e 20 meticais, dependendo do esforço. Ainda que pouco, há quem tenha transformado essa rotina em uma profissão séria, com direito à criação de uma associação. O problema é que, muitas vezes, o rendimento evapora em cigarros e bebidas espirituosas, a tarifa pesa, mas não se traduz em progresso.
O modjero é símbolo de um sistema que funciona, mas não evolui, organiza o caos, contudo, permanece preso ao mesmo ciclo. É o retracto de quem encontra formas de sobrevivência, porém o esforço raramente se converte em futuro.






