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Perseverance já conduz sozinho e usa IA para procurar vida em Marte

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Quando pensamos num rover em Marte, é fácil imaginar que cada movimento é cuidadosamente comandado a partir da Terra. Na realidade, o Perseverance já há bastante tempo consegue conduzir sozinho durante grande parte das suas deslocações. Agora, a NASA está a dar um passo adicional: utilizar inteligência artificial para ajudar a definir o próprio percurso que o rover deve seguir.

O Perseverance chegou a Marte a e, desde então, tem explorado o interior da cratera Jezero. A sua capacidade de navegação autónoma permite-lhe analisar o terreno através das câmaras, identificar obstáculos e escolher um caminho seguro sem que os operadores tenham de controlar individualmente cada movimento.

Segundo a NASA, cerca de 88% da condução do Perseverance já é realizada de forma autónoma.

O sistema permite ao Perseverance construir mapas tridimensionais do terreno à sua frente enquanto se desloca. O rover identifica rochas, crateras, zonas de areia e outros obstáculos e calcula diferentes possibilidades para chegar ao destino definido pelos operadores.

A grande diferença em relação às gerações anteriores está na capacidade de “pensar enquanto conduz”. O Perseverance consegue analisar novas imagens e adaptar a sua trajetória sem ter de parar constantemente para que os dados sejam processados na Terra.

A NASA explica que os operadores continuam a definir objetivos e destinos, mas deixam cada vez mais para o próprio rover a tarefa de escolher o caminho concreto entre esses pontos.

Esta autonomia é particularmente importante em Marte, onde existe um atraso significativo na comunicação com a Terra. Não é possível conduzir o rover em tempo real como se fosse um veículo telecomandado.

A autonomia também está a permitir ao Perseverance percorrer distâncias consideráveis. Em dezembro de 2025, o rover ultrapassou os 42,3 quilómetros percorridos na superfície marciana.

Em junho de 2026, a NASA confirmou que Perseverance tinha atingido a distância equivalente a uma maratona, 42,195 quilómetros, depois de cinco anos e quatro meses de exploração.

Este feito é particularmente relevante porque o anterior recordista, o y, demorou mais de 11 anos a atingir a mesma distância.

O objetivo do Perseverance, no entanto, não é simplesmente percorrer quilómetros. O rover procura sinais de que Marte poderá ter tido condições favoráveis à existência de vida no passado, além de recolher e armazenar amostras de rocha para uma futura missão de retorno à Terra.

Desde que aterrou na , a 18 de fevereiro de 2021, o Perseverance tem percorrido sozinho a maior parte dos seus trajetos - ©NASA

A novidade mais interessante aconteceu no final de 2025. Nos dias 8 e 10 de dezembro, a NASA realizou duas experiências em que a inteligência artificial foi utilizada para ajudar a planear a rota do Perseverance.

O sistema analisou imagens de alta resolução obtidas a partir da órbita de Marte e dados sobre a inclinação do terreno. A partir dessas informações, , incluindo afloramentos rochosos, campos de pedras, zonas arenosas e outros obstáculos.

A IA criou então pontos de passagem que permitiram definir uma rota para o rover. Numa das experiências, realizada a 10 de dezembro de 2025, o Perseverance percorreu 246 metros seguindo uma rota planeada desta forma. A primeira experiência, dois dias antes, envolveu cerca de 210 metros.

Antes de qualquer comando ser enviado para Marte, os engenheiros do verificaram as decisões da IA e testaram o percurso num ambiente virtual que reproduz o comportamento do rover. Só depois é que a rota foi executada em Marte.

Apesar do avanço, isto não significa que a NASA tenha simplesmente entregue o controlo do Perseverance a uma inteligência artificial. Existe uma diferença importante entre permitir que o rover escolha autonomamente como chegar a um destino e deixar uma IA decidir livremente o que fazer em Marte.

Neste momento, os engenheiros continuam a supervisionar o processo, validando as rotas antes da sua execução. A experiência serve sobretudo para demonstrar que modelos de inteligência artificial podem assumir tarefas que tradicionalmente exigiam bastante trabalho dos especialistas responsáveis pelo planeamento das missões. (⁠NASA)

A NASA deu entretanto outro passo importante: permitir que o próprio Perseverance determine a sua localização em Marte.

Ao contrário da Terra, Marte não possui uma rede GPS. Até recentemente, a localização precisa do rover dependia de informação e referências calculadas com a ajuda das equipas na Terra.

Em fevereiro de 2026, a NASA anunciou o , uma tecnologia que permite ao Perseverance determinar autonomamente onde se encontra através da comparação das imagens captadas pelo próprio rover com informação cartográfica disponível.

Isto significa que o rover está progressivamente a ganhar três capacidades fundamentais: consegue perceber onde está, consegue analisar o terreno à sua frente e consegue escolher como atravessá-lo.

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p id="caption-attachment-1134542" class="wp-caption-text">Recorrendo às suas câmaras de navegação, o Perseverance captou uma vista de 360 graus do terreno circundante, que foi cruzada com imagens orbitais, permitindo ao rover determinar com precisão a sua localização em Marte. As imagens das câmaras de navegação foram transformadas numa vista aérea denominada ortomosaico, formando um círculo em torno do rover.

A evolução do Perseverance mostra uma mudança importante na forma como exploramos outros mundos. Quanto mais autónomo for um rover, menos tempo as equipas na Terra precisam de gastar a decidir cada pequeno movimento.

Isso permite concentrar os recursos humanos nas decisões científicas mais importantes e, simultaneamente, permite ao veículo explorar áreas que seriam demasiado demoradas de atravessar através de um planeamento exclusivamente humano.

E Marte é apenas o princípio. A NASA está a desenvolver e testar tecnologias de autonomia para futuras missões à Lua e a Marte, precisamente porque os próximos veículos poderão ter de percorrer distâncias muito maiores e operar durante períodos em que a comunicação com a Terra não seja imediata.

 

Fonte: Pplware

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