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PMEs dinamizam logística fronteiriça no Corredor da Beira

Resumo

A fronteira de Cuchamano, em Tete, está a beneficiar do projeto Conecta Negócios, financiado pelo Ministério das Finanças com apoio do Banco Mundial, que está a impulsionar o desenvolvimento económico da região. O investimento permitiu a construção de um centro logístico pela empresa CLS Grupo Logistic, próximo do posto fronteiriço, para facilitar o fluxo de mercadorias entre Moçambique, Zimbabwe, África do Sul, Zâmbia, Malawi e outros mercados da região. Este investimento surge num contexto em que o Corredor da Beira está a receber mais de 400 milhões de dólares em projetos de expansão de infraestruturas, com o objetivo de se tornar um hub logístico regional. O projeto Conecta Negócios visa fortalecer as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) locais para responder às necessidades dos grandes investimentos na região.

Tete, 20 de Junho (AIM) – A fronteira de Cuchamano, no distrito de Changara, província de Tete, está a ganhar nova dinâmica económica graças às subvenções do projecto Conecta Negócios, financiado pelo Ministério das Finanças com apoio do Banco Mundial, permitindo a construção de centro logístico e reforço as ligações económicas.

O financiamento está a permitir que Pequenas e Médias Empresas (PMEs) invistam em infra-estruturas estratégicas, fortalecendo o Corredor da Beira e aproximando o empresariado nacional dos megaprojectos em curso na região.

Entre as iniciativas em destaque está a construção de um centro logístico pela empresa CLS Grupo Logistic junto ao posto fronteiriço de Cuchamano, uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias entre Moçambique, Zimbabwe, África do Sul, Zâmbia, Malawi e outros mercados da África Austral.

O investimento surge numa altura em que o Corredor da Beira conhece projectos avaliados em mais de 400 milhões de dólares norte-americanos, destinados à expansão das infra-estruturas portuárias, construção de porto seco e melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários, com o objectivo de transformar a região num importante hub logístico regional.

Segundo o director da CLS Grupo Logistic, Nelson Ambrosio Tsukane, ouvido pela AIM, o empreendimento foi concebido para responder ao crescente fluxo de camiões que atravessam a fronteira.

“Estamos a construir um parque para estacionamento de camiões, em especial os que atravessam a fronteira entre Moçambique e Zimbabwe. Este será um local para aguardar trâmites fronteiriços, efectuar baldeamentos e outras operações logísticas”, explicou.

O espaço terá capacidade para albergar cerca de 100 camiões e servirá sobretudo viaturas que transportam amostras minerais e cargas ligadas aos megaprojectos mineiros instalados em Tete, entre eles as multinacionais Vulcan e Jindal, cujos investimentos ultrapassam os 2,5 mil milhões de dólares.

“Temos contratos com algumas empresas de mineração. Os camiões fazem a recolha/ transporte de amostras que seguem para laboratórios na África do Sul e outros países. Este parque vai facilitar a logística da travessia e reduzir os constrangimentos associados aos procedimentos aduaneiros”, acrescentou Tsukane.

A importância de Cuchamano vai além da fronteira moçambicana. A infraestrutura serve corredores que ligam África do Sul, Zimbabwe, Malawi, Zâmbia e Tanzânia, constituindo uma alternativa importante às rotas tradicionais e reforçando a integração regional.

É neste contexto que o projecto Conecta Negócios aposta no fortalecimento das PMEs nacionais. De acordo com o especialista em desenvolvimento do sector privado, Joel Sauane, os financiamentos procuram criar empresas capazes de fornecer bens e serviços aos grandes investimentos.

“É este financiamento que vai alavancar os investimentos das nossas PMEs para que possam responder às necessidades dos megaprojectos”, afirmou.

Sauane avançou que, nesta primeira fase, foram financiadas 26 empresas das províncias de Tete, Nampula e Cabo Delgado, num montante global de cerca de 560 milhões de meticais. Deste valor, aproximadamente 176 milhões de meticais foram canalizados para oito empresas da província de Tete, actuando em sectores estratégicos como logística, transporte, agronegócio, restauração e prestação de serviços.

O responsável acrescentou que o programa já formou mais de 7.200 microempresas nas províncias de tete, Nampula e Cabo Delgado, das quais 1.723 pertencem a Tete, em áreas como empreendedorismo, gestão financeira, competitividade verde, inclusão de género e marketing digital.

“O Governo entendeu que devia criar esta janela de financiamento para potenciar as PMEs locais, aumentar a sua competitividade e gerar novos empregos no país”, sublinhou.

A iniciativa ganha ainda maior relevância numa altura em que o Conselho de Ministros aprovou recentemente o lançamento de um concurso público internacional para a modernização das fronteiras de Calómuè e Zóbuè, em Tete, através de parcerias público-privadas.

A medida visa melhorar a circulação de mercadorias e passageiros nos corredores da Beira e de Nacala e consolidar Moçambique como plataforma logística regional.

(AIM)
Paulino Checo/

 

Fonte: aimnews

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