Por: Alfredo Júnior
O embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, defendeu que o futuro do desenvolvimento do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da qualidade das escolhas políticas, da solidez das instituições públicas e da capacidade de transformar o crescimento económico em prosperidade partilhada por todos os moçambicanos.
A posição foi apresentada durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, realizada em Maputo, num momento em que o país assinala 50 anos de independência e procura definir prioridades para as próximas décadas. Segundo o diplomata europeu, este é um período propício para avaliar os progressos alcançados, identificar os desafios persistentes e construir uma visão de longo prazo para o desenvolvimento nacional.
No seu discurso, Maggiore sublinhou que a experiência internacional demonstra que o sucesso dos países não depende exclusivamente da disponibilidade de recursos naturais. Para o representante europeu, a diferença reside sobretudo na qualidade da governação, na estabilidade das políticas públicas, na credibilidade das instituições e na confiança que estas conseguem transmitir aos cidadãos e aos investidores.
O embaixador reconheceu que Moçambique registou avanços importantes nas últimas décadas em diferentes áreas de desenvolvimento. Contudo, advertiu que milhões de cidadãos continuam afectados pela pobreza e pelas desigualdades, defendendo que o crescimento económico só terá significado se produzir benefícios concretos para toda a população, através da criação de emprego, da melhoria dos serviços públicos e da expansão das oportunidades económicas.
Maggiore destacou ainda que o país reúne condições favoráveis para acelerar o seu desenvolvimento, apontando o potencial humano, a juventude da população, as reformas em curso e a existência de uma visão estratégica como factores positivos. Ao mesmo tempo, alertou para desafios como a insegurança em Cabo Delgado, defendendo que o desenvolvimento da região norte deve ocupar um lugar central nas políticas públicas para garantir um crescimento equilibrado entre todas as províncias.
Segundo o diplomata, nenhuma estratégia de desenvolvimento produz resultados apenas por existir no papel. A concretização das metas dependerá da capacidade de execução das instituições públicas, da participação activa dos cidadãos, do envolvimento do sector privado e da cooperação entre o Governo e os parceiros internacionais. Para a União Europeia, o desenvolvimento sustentável deve ser liderado pelos próprios moçambicanos, cabendo aos parceiros externos apoiar as prioridades definidas pelo país.
A intervenção de Antonino Maggiore enquadra-se na parceria de cooperação entre Moçambique e a União Europeia, actualmente orientada para o reforço da democracia, da boa governação, do investimento privado e do desenvolvimento sustentável. Nos últimos anos, Bruxelas tem reforçado o apoio a projectos nas áreas da energia, infra-estruturas, agricultura, desenvolvimento humano e segurança, procurando contribuir para um crescimento económico mais inclusivo e resiliente.


