O Governo moçambicano afirmou esta terça-feira estar a preparar um processo disciplinar contra agentes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) que circulavam armados no distrito de Macossa, província de Manica, no centro do país, admitindo que não deveriam ter atuado daquela forma.
Em causa está a circulação, desde a semana passada, de imagens, sobretudo através dos órgãos de comunicação social locais, mostrando homens não identificados empunhando armas do tipo AK-47 a circular por comunidades daquela região do centro do país, onde existem algumas minas de ouro, situação que gerou pânico entre a população.
“Felizmente, foram identificados. São efetivamente agentes da corporação e, neste caso, o setor específico está a tratar da matéria sob o ponto de vista disciplinar, porque não deviam ter atuado daquela forma, nem confundir as populações, como aconteceu, gerando o susto que gerou”, disse esta terça-feira aos jornalistas o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.
O governante falava em Maputo, após a reunião semanal do executivo, tendo frisado que o Ministério da Defesa Nacional está a tratar das questões de natureza disciplinar relacionadas com os agentes envolvidos.
“Não é a forma habitual de atuação dos militares, da Polícia ou de outras entidades. Existem instituições autorizadas a atuar daquela forma ou à paisana, mas não os membros do Ministério da Defesa Nacional, como vimos”, acrescentou Impissa.
A Lusa noticiou anteriormente que as autoridades locais garantiram que os homens armados vistos a circular no distrito de Macossa pertencem às Forças de Defesa e Segurança e realizavam patrulhamento de rotina.
A 9 de julho, o procurador-geral da República alertou, durante uma visita à província, para a circulação de homens armados em áreas de exploração mineira de Macossa, apelando a esforços coletivos para travar estes atos.
“Queria pedir aos meus irmãos aqui que cada um de nós seja vigilante. Não podemos admitir nem aceitar que apareça quem quer que seja para nos instigar a fazer aquilo que está a acontecer em Cabo Delgado. Porque, se isso acontecer, vamos continuar a explorar a mina? Não. Só conseguimos explorar a mina porque estamos aqui em paz”, apelou na altura Américo Letela.
A exploração mineira no distrito de Macossa centra-se sobretudo na extração de ouro, registando-se igualmente a ocorrência de minerais associados e de pedras preciosas e semipreciosas, como a turmalina e a granada.
Fonte: Observador




