O Havai está a ser atingido por chuvas torrenciais, ventos fortes e inundações provocados pelo furacão Lala, que passou junto à Ilha Grande no sábado, deixando dezenas de milhares de pessoas sem eletricidade e obrigando as autoridades a alertar para condições "potencialmente fatais".
O governador do Havai, Josh Green, afirmou que o furacão passou mais perto da zona de South Point, no sul da Ilha Grande. Na mesma área, uma pessoa morreu na sequência de um acidente de viação, embora as autoridades não tenham indicado, até ao momento, uma relação direta entre a morte e a tempestade.
Lala atingiu a categoria 1 de furacão no sábado, depois de registar ventos de 130 quilómetros por hora. As rajadas chegaram posteriormente aos 146 km/h. A tempestade poderá provocar até 63 centímetros de chuva em algumas zonas e gerar uma subida do nível do mar de cerca de um metro.
As autoridades têm apelado aos residentes para permanecerem em casa e evitarem deslocações. O governador Josh Green alertou para a possibilidade de uma quantidade "incrível" de água e aconselhou a população a não circular nas estradas.
"Por favor, tenham muito cuidado. Não querem estar nas estradas", afirmou num vídeo publicado nas redes sociais.
O impacto da tempestade já se faz sentir em vários pontos da Ilha Grande. O governador indicou que cerca de 30 locais tinham sido visitados por equipas de emergência devido a problemas nas estradas.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS) emitiu os alertas mais graves para o sudeste da ilha, onde a precipitação poderá provocar inundações generalizadas, evacuações e operações de salvamento. Os rios e afluentes poderão transbordar rapidamente em vários pontos, segundo o organismo.
A tempestade provocou igualmente cortes generalizados no fornecimento de eletricidade. Mais de 85 mil clientes estavam sem energia no Havai no sábado à noite.
Três hospitais ficaram também sem eletricidade, embora disponham de geradores de emergência, segundo o governador.
Em Maui, alguns residentes ficaram ainda sem abastecimento de água. Equipas foram enviadas para avaliar a situação, mas tiveram de interromper os trabalhos devido às condições meteorológicas adversas e à queda de várias árvores.
O mau tempo está também a afetar o transporte aéreo. Segundo Josh Green, 190 voos foram adiados.
No Aeroporto Internacional Ellison Onizuka Kona, o maior aeroporto da Ilha Grande, cerca de 40% dos voos foram cancelados, de acordo com dados do FlightAware. No Aeroporto Internacional de Hilo, outro dos principais da ilha, cerca de 80% dos voos foram afetados.
Está em vigor um aviso de furacão para a Ilha Grande, enquanto Maui, Molokai, Kahoolawe, Oahu, Lanai, Kauai e Niihau permanecem sob avisos de tempestade tropical.
Num boletim divulgado às 17:00 de sábado, hora local, o Centro Nacional de Furacões dos EUA informou que a parede do olho do furacão estava a "roçar" a zona sul da Ilha Grande.
"Ventos destrutivos e chuva intensa vão persistir na Ilha Grande durante a noite e avançar para oeste, em direção às ilhas mais pequenas, no domingo", indicou o organismo.
Lala deverá continuar a deslocar-se para oeste durante o domingo e poderá perder força, transformando-se novamente numa tempestade tropical. A previsão aponta para que o centro do sistema passe a sul das restantes ilhas havaianas.
A população foi aconselhada a preparar abrigos e a evitar deslocações desnecessárias. Na Ilha Grande, foram disponibilizados abrigos públicos em todos os distritos.
Embora um furacão de categoria 1 esteja no nível mais baixo da escala Saffir-Simpson, os efeitos podem ser significativos, sobretudo quando associados a chuva extrema, inundações e deslizamentos de terras. A passagem de Lala assume particular relevância porque a Ilha Grande não é atingida diretamente por um furacão há mais de 150 anos, segundo investigadores.
O último furacão a atingir diretamente o Havai foi o Iniki, em 1992. O sistema, de categoria 4, atingiu a ilha de Kauai, provocou seis mortos e causou cerca de 2,6 mil milhões de euros em prejuízos.
Fonte: TVI




