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África Do Sul Reforça Aposta No Carvão Para Sustentar Segurança Energética Até 2043

Resumo

A África do Sul reforçou a importância do carvão na sua matriz energética com a expansão da mina Matla pela Exxaro Resources, assegurando o fornecimento de carvão à central termoeléctrica da Eskom até 2043. Apesar dos esforços para integrar energias renováveis, o país continua a depender do carvão para garantir estabilidade energética. Cerca de 80% da eletricidade sul-africana é produzida a partir de carvão, devido às reservas minerais abundantes e limitações na transição energética. A estratégia gradual inclui a exploração de carvão e o desenvolvimento de energias renováveis, num investimento de 5,236 mil milhões de rands para aumentar a produção e eficiência operacional da mina Matla.

A África do Sul voltou a evidenciar a centralidade estratégica do carvão na sua matriz energética, após a Exxaro Resources inaugurar a expansão da mina Matla, projecto destinado a garantir o abastecimento da central termoeléctrica da Eskom durante quase duas décadas adicionais.

Segundo avançou a Bloomberg, a empresa mineira assinou recentemente um novo contrato com a Eskom Holdings para fornecer mais de nove milhões de toneladas de carvão por ano à central de Matla, num compromisso que deverá prolongar-se até 2043.

A decisão surge num contexto em que Pretória procura acelerar a integração de energias renováveis na rede eléctrica, mas continua fortemente dependente do carvão para assegurar estabilidade energética e responder à procura industrial e doméstica.

Carvão Continua No Centro Da Matriz Energética Sul-Africana

Apesar da crescente pressão internacional em torno da descarbonização, a África do Sul continua a produzir cerca de 80% da sua electricidade a partir do carvão, segundo dados citados pela Bloomberg.

O peso estrutural do combustível fóssil reflecte não apenas a abundância de reservas minerais no país, mas também as limitações operacionais e infra-estruturais da transição energética sul-africana.

A própria Eskom tem vindo a prolongar a vida útil de várias centrais a carvão como forma de responder às necessidades do sistema eléctrico e evitar crises de abastecimento, numa altura em que o país tenta consolidar a recente estabilização do fornecimento energético.

A central de Matla, com capacidade instalada de 3.600 megawatts, entrou plenamente em operação em 1983 e continua a desempenhar papel relevante no sistema energético nacional.

Pretória Procura Equilibrar Transição Energética E Segurança Do Sistema

A expansão da mina Matla evidencia igualmente a estratégia pragmática adoptada pela África do Sul em relação à transição energética.

Caroline Shirindza, directora executiva de carvão da Exxaro, afirmou, em declarações citadas pela Bloomberg, que o país continuará a explorar carvão ao mesmo tempo que desenvolve energias renováveis, rejeitando a ideia de uma substituição imediata entre as duas fontes energéticas.

“We continue mining coal while we also build on the renewables, so it’s not a matter of renewables versus coal”, declarou a responsável.

A abordagem revela uma visão gradualista da transição energética, fortemente influenciada pelas exigências de segurança do abastecimento, competitividade industrial e estabilidade económica.

Investimento Multimilionário Reforça Produção E Infra-Estruturas

De acordo com um comunicado conjunto da Exxaro e da Eskom, o novo projecto integra o denominado Matla Life of Mine Project (MLOMP), um programa de expansão avaliado em 5,236 mil milhões de rands, concebido para garantir acesso continuado às reservas remanescentes da mina e aumentar a eficiência operacional.

Segundo a Exxaro, a nova operação deverá produzir cerca de 4,2 milhões de toneladas de carvão por ano, reforçando a fiabilidade do abastecimento à central da Eskom.

O projecto inclui ainda novas infra-estruturas de transporte e processamento, sistemas de correias transportadoras integradas à rede da Eskom, unidades de britagem, oficinas técnicas e novos equipamentos mineiros.

Actualmente, a mina Matla emprega mais de 6.100 trabalhadores, incluindo contratados.

Governo Sul-Africano Defende Continuidade Da Indústria Carbonífera

O Ministro sul-africano dos Recursos Minerais e Petróleo, Gwede Mantashe, presente na inauguração, rejeitou a ideia de que o carvão seja uma indústria em declínio, argumentando que o sector continua a evoluir através de melhorias em segurança operacional, inovação e pesquisa tecnológica, segundo o comunicado conjunto divulgado pelas empresas.

“Coal miners should never be ashamed of the work they do”, afirmou o governante.

A posição reflecte as tensões persistentes entre as metas globais de descarbonização e as realidades económicas e energéticas de vários países africanos, onde o carvão continua a desempenhar papel central na industrialização, electrificação e estabilidade macroeconómica.

Transição Energética Sul-Africana Mantém Carácter Gradual

Ao mesmo tempo, a Eskom confirmou que mantém iniciativas voltadas à redução de emissões e à chamada “transição energética justa”, incluindo um memorando de entendimento assinado com a Exxaro para colaboração em captura de carbono e outras soluções ambientais.

O CEO da Eskom, Dan Marokane, afirmou que a expansão da mina demonstra como a cooperação estratégica entre o sector público e privado continua essencial para garantir segurança energética enquanto o país amplia gradualmente a penetração das energias renováveis.

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">O responsável destacou ainda que a África do Sul completou recentemente 365 dias consecutivos sem cortes programados de energia (loadshedding), resultado atribuído à combinação entre investimentos, disciplina operacional e maior coordenação entre operadores e produtores.

Fonte: O Económico

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