InícioSaúdePiora da emergência alimentar na Somália ameaça 6 milhões de pessoas

Piora da emergência alimentar na Somália ameaça 6 milhões de pessoas

Resumo

A Somália enfrenta uma intensificação da emergência alimentar, com 6 milhões de pessoas em níveis críticos de segurança alimentar entre abril e junho, representando 31% da população. Estima-se que 2 milhões de crianças sofrem de subnutrição grave, com 493 mil em desnutrição aguda grave. A situação é impulsionada pela seca, insegurança e limitações de ajuda humanitária, podendo agravar-se no sudeste do país. Cerca de 90% da população não recebe assistência adequada devido a restrições financeiras. O encerramento de unidades de saúde aumenta o risco de mortalidade, especialmente entre as crianças. As agências humanitárias apelam a um reforço urgente da assistência para evitar uma catástrofe humanitária na Somália.

A intensificação da emergência alimentar na Somália empurra 6 milhões de pessoas para níveis críticos de segurança alimentar entre abril e junho deste ano. Trata-se de 31% da população do país que enfrenta uma das piores crises alimentares da atualidade.  

O alerta é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e do Programa Alimentar Mundial, PAM.

Desnutrição afeta milhões de crianças 

O mais recente Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar no país, IPC, estima que cerca de 2 milhões de crianças entre os seis meses e os cinco anos enfrentem subnutrição grave, ligada à ingestão insuficiente de calorias. 

O IPC estima ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas encontram-se em emergência alimentar
© WFP/Arete/Mahad Said
O IPC estima ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas encontram-se em emergência alimentar

Entre estas, 493 mil enfrentam desnutrição aguda grave, associada à perda rápida e severa de peso e massa muscular, ao que se acrescenta um risco de morte 12 vezes superior ao registado entre crianças bem nutridas.

O IPC estima ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas encontram-se em emergência alimentar, um número que triplicou em menos de um ano. É o reflexo de um “quadro alarmante e urgente”, afirma o coordenador humanitário no país, George Conway.

Aumento do risco de fome no sudeste do país

o representante da FAO na Somália, Etienne Peterschmitt, indica que “o país está num ponto crítico”. A situação é impulsionada pelos impactos da seca severa, da insegurança, do auxílio humanitário extremamente limitado, dos efeitos do conflito no Oriente Médio e do aumento do risco de cheias.

Caso a estação das chuvas não se concretize, os preços dos alimentos continuem a subir e a assistência humanitária não seja reforçada, a FAO antevê um agravamento do risco de fome no sudeste do país. Nesta região, 40% das crianças já se encontram em estado de desnutrição aguda, sublinha a agência.

Limitações financeiras comprometem ajuda 

A FAO estima que 90% da população receba pouca ou nenhuma assistência humanitária, numa altura em que restrições financeiras comprometeram a atividade dos serviços de ajuda humanitária em todo o país. 

Uma mulher e um menino pastoreiam um rebanho de cabras ao longo de um caminho de terra em Caadley, na Somália.
© PMA/Arete/Mahad Said
FAO estima que 90% da população receba pouca ou nenhuma assistência humanitária

Por sua vez, o encerramento de mais de 500 unidades de saúde e nutrição dificulta o controlo de surtos de doenças, aumentando o risco de mortalidade, particularmente entre as crianças, realça a agência. 

Perante o cenário humanitário em agravamento, a FAO, o Ocha, o Unicef e o PAM apelam a um reforço urgente da assistência humanitária multissetorial para salvar vidas.

As agências subinham que o financiamento sustentado e previsível é essencial para evitar uma catástrofe humanitária no país.

Fonte: ONU

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