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ART X Lagos 2025 e os desafios da internacionalização da arte moçambicana

Resumo

A décima edição da ART X Lagos, em novembro de 2025, reafirmou-se como uma plataforma importante para a arte contemporânea africana, reunindo artistas, galerias e colecionadores do continente e da diáspora. O evento destacou a diversidade de expressões artísticas, como pintura, escultura, fotografia, instalação e arte digital, refletindo a pluralidade criativa do continente. A presença de compradores internacionais e representantes de museus evidencia a crescente valorização do mercado de arte africana a nível global. Em comparação com Moçambique, onde artistas têm reconhecimento local mas enfrentam limitações na projeção internacional devido a fragilidades estruturais no meio cultural, como a falta de um mercado interno robusto e de galerias com inserção internacional. Este contraste destaca a necessidade de maior organização e profissionalização no setor artístico moçambicano.

Por: Gelva Aníbal

A décima edição da ART X Lagos, realizada em Novembro de 2025, voltou a afirmar-se como uma das principais plataformas da arte contemporânea africana. O evento reuniu artistas, galerias, curadores e coleccionadores de várias partes do continente e da diáspora, reforçando a presença africana no circuito internacional das artes visuais. A ART X Lagos consolidou-se como um espaço de circulação de ideias, tendências e negócios culturais.

A diversidade de linguagens artísticas foi uma das marcas do certame. Pintura, escultura, fotografia, instalação e arte digital partilharam o mesmo espaço, revelando um continente plural nas suas formas de criar e de representar o mundo. Esta multiplicidade reflecte realidades sociais distintas, mas também um diálogo crescente entre tradição e contemporaneidade, característica comum a muitas produções africanas actuais.

No plano económico, a feira confirmou a progressiva valorização do mercado de arte africana. A presença de compradores internacionais, de fundações culturais e de representantes de museus evidencia que a produção artística africana deixou de ocupar um lugar secundário no panorama global. Esta dinâmica cria oportunidades, mas também exige maior organização e profissionalização do sector.

Quando se observa este fenómeno a partir de Moçambique, a comparação é inevitável. O país possui uma tradição artística reconhecida, com nomes consagrados nas artes plásticas, na escultura e na arte contemporânea, além de uma nova geração de criadores que começa a afirmar-se em espaços alternativos e em exposições colectivas. Contudo, a projecção internacional desses artistas continua a ser limitada, em grande parte devido a fragilidades estruturais do meio cultural.

A inexistência de um mercado interno robusto, a escassez de galerias com capacidade de inserção internacional e a dependência de iniciativas pontuais dificultam a continuidade das carreiras artísticas. Ao contrário do que se observa na Nigéria, onde eventos como a ART X Lagos funcionam como motores de dinamização cultural e económica, em Moçambique ainda predomina uma lógica de esforço individual, pouco sustentada por estruturas permanentes.

A feira de Lagos também evidencia a importância das redes de cooperação e da mobilidade artística no continente. Muitos dos artistas presentes beneficiam de residências, intercâmbios e programas de formação fora dos seus países de origem. Para os criadores moçambicanos, o acesso a esses circuitos continua a ser irregular, dependente, sobretudo, de parcerias externas e do apoio de instituições estrangeiras.

Apesar destas limitações, há sinais positivos no panorama nacional. Surgem iniciativas independentes, colectividades culturais, espaços alternativos de exposição e projectos de formação artística que procuram responder às carências do sector. No entanto, estas iniciativas carecem de continuidade, de financiamento estável e de maior articulação entre si.

A ART X Lagos 2025 mostra que a afirmação da arte africana no mundo não resulta apenas do talento individual, mas da construção de plataformas consistentes, capazes de ligar artistas, instituições e o mercado. Para Moçambique, o desafio reside precisamente na criação dessas pontes, tanto no nível interno como no diálogo com outros países do continente.

Contudo, a feira de Lagos confirma que a arte contemporânea africana vive um momento de expansão e de reconhecimento internacional. Para os artistas moçambicanos, este movimento representa simultaneamente uma inspiração e um aviso, sem estruturas duradouras, políticas culturais coerentes e integração em redes regionais, o talento existente pode permanecer afastado dos grandes circuitos da criação contemporânea.

 

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