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Bidões de químicos para fazer droga encontrados pela PJ no armazém do empreiteiro amigo do ministro Luís Neves

O Ministério Público está a analisar os factos que deram origem a um inquérito investigado pela Polícia Judiciária e que envolve Luís Neves e o empreiteiro João dos Santos Carvalho, amigo pessoal do ministro da Administração Interna. Como a investigação da CNN Portugal, TVI e Nascer do Sol noticiaram em primeira mão, em causa está um atrelado apreendido numa operação de tráfico de droga que acabou nas instalações da Construbarcelos, empresa pertencente ao empresário.

Segundo apurou a TVI, a autorização para que o atrelado fosse retirado do parque de apreensões das autoridades foi dada pelo próprio Luís Neves, numa altura em que ainda exercia funções como diretor nacional da Polícia Judiciária.

O atrelado tinha sido apreendido no âmbito da operação “Pacoba”, realizada em dezembro de 2024 e que levou ao desmantelamento de um dos maiores laboratórios de produção de cocaína da Europa. No interior encontravam-se bidões selados com precursores químicos, incluindo amoníaco. A TVI apurou agora que esses bidões foram encontrados dentro de um armazém da Construbarcelos.

O atrelado tinha sido levado para um parque de apreensões da Autoridade Marítima, mas acabou posteriormente acoplado a um camião da empresa de João dos Santos Carvalho. Depois de a sua localização ter sido confirmada pela TVI, CNN Portugal e Nascer do Sol, desapareceu das instalações da construtora quatro dias mais tarde.

A Construbarcelos não dispõe atualmente de alvará para obras públicas nem de título habilitante para obras particulares, não podendo, por isso, executar legalmente trabalhos para os quais seja exigida essa habilitação. A situação levanta novas dúvidas sobre eventuais intervenções da empresa nas propriedades de Luís Neves, em Odemira.

O caso começou com a revelação de que o ministro escolheu o amigo João dos Santos Carvalho para realizar trabalhos de remodelação em propriedades da família, depois de a mesma empresa ter recebido contratos da Polícia Judiciária quando Luís Neves dirigia aquela polícia. Entre 2019 e 2025, a Construbarcelos terá realizado intervenções nas instalações da PJ da Guarda e de Évora num valor próximo de dois milhões de euros. Embora o ministro tenha inicialmente referido obras num único monte, foram encontrados equipamentos da empresa nas duas propriedades.

Também os valores e a forma de pagamento permanecem por esclarecer. Luís Neves afirmou ter gasto entre 20 mil e 30 mil euros, mas, entre as 108 faturas divulgadas, apenas duas foram emitidas pela Construbarcelos, num total de cinco mil euros. O ministro justificou esse montante como dinheiro entregue ao empreiteiro para pequenas despesas e fundo de maneio, mas recusou até agora apresentar comprovativos dos restantes pagamentos. A Câmara de Odemira revelou ainda não ter encontrado qualquer processo de licenciamento relativo às propriedades, apesar de uma das intervenções incluir uma piscina já concluída.

A polémica agravou-se com outras revelações, entre elas a falta de publicação dos contratos relativos às obras da PJ em Évora e o pedido para que o empreiteiro construísse uma mesa e bancos com travessas ferroviárias alegadamente oferecidas durante um encontro com responsáveis da CP. A Infraestruturas de Portugal garante não ter registos de qualquer cedência gratuita desses materiais. O caso aumentou a pressão sobre o Governo de Luís Montenegro e levou partidos da oposição a exigir mais explicações, havendo já quem reclame a demissão do ministro da Administração Interna.

 

Fonte: TVI

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