Resumo
O ex-ministro das Finanças Mário Centeno alertou para a falta de paciência nas sociedades modernas, destacando que objetivos irrealistas alimentam a frustração das pessoas, sendo explorados pelos populistas. Centeno sublinhou a importância de não insistir em metas inatingíveis, como o caso dos médicos de família, e mencionou o problema habitacional como uma consequência da crise financeira. O antigo governador do Banco de Portugal defendeu a necessidade de um entendimento de longo prazo e criticou a transformação de utopias em distopias, que favorecem os populistas. Afirmou que é essencial evitar gerar frustração e desentendimento, realçando a importância de abordar questões complexas com realismo e paciência.
“Não vamos conseguir ultrapassar esta situação com sucesso - como ultrapassámos a pandemia (…) e a questão inflacionista - se não conseguirmos colocar na nossa agenda e na agenda das pessoas esta dimensão de entendimento de que isto não é para resolver apenas num mês ou apenas num ano”, disse Mário Centeno na sua intervenção durante o último dia das jornadas parlamentares do PS, na Amadora, em Lisboa.
Para o antigo governador do Banco de Portugal, todos os políticos têm de ter “muito presente” que “a paciência é a coisa mais escassa nas sociedades modernas”.
“Nós tornamos muitas vezes e muito facilmente as utopias em distopias e transformamos objetivos que são absolutamente legítimos de uma forma que dá a sensação de que são de tal maneira inalcançáveis que geram o pior dos sentimentos para o nosso trabalho, mas o melhor dos sentimentos para os populistas, que é a frustração”, avisou.
Centeno pediu por isso que não se insista “em objetivos inalcançáveis”, dando neste momento como exemplo a questão dos médicos de família.
“Nós só vamos gerar distopias onde tínhamos antes coisas que todos podemos concordar. É evidente que os médicos de família são um desses casos. Nós transformamos uma discussão positiva numa coisa que apenas gera sangramento político e discussão que não tem nenhum sentido. Nunca vai acontecer, acreditem no que eu estou a dizer”, defendeu.
Também na habitação há este risco, de acordo com o ex-ministro dos governos de António Costa.
“É uma das causas, consequências, resultados da crise financeira que hoje ainda vivemos. Nós destruímos o setor da construção, aniquilámos o setor da construção e depois esperávamos que quando tivéssemos rendimento para comprar a casa, as casas aparecessem. Isso não vai nunca acontecer”, alertou.
Fonte: TVI






