Resumo
Moçambique está a utilizar a diplomacia económica para promover o seu setor turístico a nível internacional, com o Presidente Daniel Chapo a participar na Cimeira de Investimento do Fórum Global do Turismo 2026 em Luanda, Angola. O evento visa atrair investimento para projetos turísticos e de infraestruturas em Angola e em África, destacando o turismo como motor de crescimento económico, inovação e desenvolvimento sustentável. A presença de Chapo reforça os laços entre Moçambique e Angola e visa atrair investimento para o setor turístico moçambicano, com foco na criação de emprego e diversificação económica. Moçambique procura posicionar-se como um destino turístico estratégico, destacando o potencial da sua costa, ilhas e parques naturais. A promoção de Vilankulo, em Inhambane, como um polo turístico de destaque também é enfatizada.
Moçambique está a usar a diplomacia económica como instrumento de posicionamento internacional do seu sector turístico. A participação do Presidente da República, Daniel Chapo, na Cimeira de Investimento do Fórum Global do Turismo 2026, em Luanda, Angola, surge como parte de uma estratégia mais ampla de promoção do país junto de investidores globais, instituições multilaterais, grupos empresariais e parceiros de desenvolvimento.
O evento, que decorre de 17 a 19 de Junho, reúne governos, investidores, instituições financeiras, líderes empresariais e especialistas do sector, com o objectivo de mobilizar capital internacional para projectos turísticos e de infra-estruturas em Angola e no continente africano. Sob o lema “Moldando o Futuro do Turismo em Destinos Emergentes”, a cimeira coloca o turismo no centro do debate sobre crescimento económico, inovação, parcerias público-privadas e desenvolvimento sustentável.
A presença de Daniel Chapo em Luanda tem uma dupla dimensão: por um lado, reforça os laços históricos de amizade e cooperação entre Moçambique e Angola; por outro, procura transformar a visibilidade política do país em oportunidades concretas de investimento, sobretudo num sector com forte potencial de geração de emprego, dinamização territorial e diversificação económica.
Turismo Como Plataforma De Crescimento
A participação moçambicana no Fórum Global do Turismo ocorre num momento em que o país procura consolidar o turismo como uma das alavancas da transformação económica. A agenda apresentada em Luanda privilegia a promoção de destinos, a mobilização de financiamento e a atracção de parceiros para projectos capazes de ligar turismo, infra-estruturas, serviços, indústria criativa, transportes e desenvolvimento local.
O Presidente Daniel Chapo deverá intervir no painel de diálogo presidencial subordinado ao tema “O Turismo como Estratégia Económica Nacional”, espaço reservado à reflexão sobre o papel do sector na transformação económica de países emergentes. A mensagem central é clara: Moçambique pretende afirmar o turismo não apenas como actividade de lazer, mas como sector económico estratégico, capaz de captar investimento, gerar receitas, criar emprego e estimular cadeias de valor locais.
Neste quadro, a promoção do potencial costeiro do país ganha particular relevância. Moçambique dispõe de uma extensa linha costeira, ilhas, praias, parques naturais, biodiversidade e corredores turísticos que podem sustentar uma oferta diferenciada no mercado africano e internacional. O desafio está em transformar estes activos em projectos bancáveis, infra-estruturados e integrados numa visão de longo prazo.
Vilankulo E Inhambane No Centro Da Promoção
A presença de Moçambique no fórum está igualmente centrada na promoção de oportunidades de investimento em destinos com elevado potencial, com destaque para Vilankulo, na província de Inhambane. A região é apresentada como um dos principais pólos turísticos do país e porta de entrada para novos investimentos no sector.
A estratégia de promoção inclui também a divulgação da II Edição do Mozambique Tourism Summit, prevista para os dias 5 e 6 de Novembro, em Vilankulo. A iniciativa pretende consolidar-se como uma das principais plataformas nacionais de debate, promoção e mobilização de investimento para o turismo, reforçando a ligação entre decisores públicos, investidores, operadores turísticos, instituições financeiras e comunidades locais.
A aposta em Vilankulo é particularmente simbólica. Trata-se de um destino com reconhecimento internacional, mas ainda com margem significativa para expansão em hotelaria, transporte, serviços, experiências turísticas, infra-estruturas de apoio e ligações com pequenas e médias empresas locais.
ONU Turismo Promete Visitar Moçambique
À margem da cimeira, o Presidente Daniel Chapo manteve encontros com dirigentes de organizações internacionais e líderes empresariais de Angola e dos Emirados Árabes Unidos, que manifestaram interesse em investir no país e apoiar os planos de desenvolvimento de Moçambique nos sectores do turismo, infra-estruturas, indústria e formação de recursos humanos.
Entre os potenciais parceiros destaca-se a ONU Turismo. A sua Secretária-Geral, Shaikha Al Nuwais, manifestou satisfação pelo encontro com o Chefe do Estado moçambicano e revelou intenção de visitar Moçambique para aprofundar mecanismos de cooperação no sector turístico.
Durante a reunião, foram discutidas as prioridades do Governo moçambicano para o turismo, com especial enfoque na valorização do potencial costeiro e na formação de quadros qualificados para responder ao crescimento da actividade. “Falámos sobre os seus planos para o turismo e uma das questões que ele enfatizou foi a beleza da costa de Moçambique. Prometi-lhe que visitaria Moçambique para ver como podemos ajudar”, afirmou Al Nuwais.
A eventual visita da ONU Turismo poderá abrir espaço para cooperação técnica, promoção internacional do destino Moçambique, reforço da capacidade institucional e apoio à formação de recursos humanos, uma área decisiva para elevar a qualidade da oferta turística nacional.
Emirados Árabes Unidos E Angola Sinalizam Interesse
O interesse internacional não se limitou ao sector turístico. O Director Executivo do Grupo Mangrove Investment, Christos Grigorakis, manifestou disponibilidade dos Emirados Árabes Unidos para apoiar a agenda de desenvolvimento de Moçambique, com particular atenção às infra-estruturas. Segundo o responsável, a missão empresarial decorre dos contactos prévios entre os Presidentes dos Emirados Árabes Unidos e de Moçambique.
Grigorakis classificou o programa de governação de Daniel Chapo como “muito impressionante”, considerando que reúne condições para produzir resultados rápidos e sustentáveis. A sinalização dos Emirados Árabes Unidos é relevante, tendo em conta a presença crescente de investidores do Golfo em infra-estruturas, logística, turismo, energia e desenvolvimento urbano em vários mercados africanos.
Também o Grupo OPAIA, de Angola, manifestou intenção de expandir para Moçambique os investimentos que já desenvolve em diferentes países africanos. O Presidente Executivo do conglomerado, Agostinho Kapaia, apontou áreas como construção civil, energia, águas, indústria e fertilizantes como sectores de interesse.
O empresário anunciou a intenção de estabelecer presença permanente em Moçambique, através da abertura de um escritório e da constituição de uma empresa local, apostando em parcerias com empresários moçambicanos. “Queremos abrir uma empresa em Moçambique e encontrar empresários moçambicanos para desenvolvermos parcerias”, afirmou.
Diplomacia Económica Procura Ganhos Concretos
A deslocação de Daniel Chapo a Luanda confirma uma orientação cada vez mais clara da política externa moçambicana: usar fóruns internacionais não apenas como espaços de representação diplomática, mas como plataformas de captação de investimento, promoção de projectos e construção de parcerias económicas.
No caso do turismo, esta abordagem é particularmente importante. O sector tem potencial para gerar emprego intensivo, dinamizar pequenas empresas, estimular a procura por produtos locais, aumentar receitas externas e projectar a imagem do país. No entanto, o seu desenvolvimento depende de infra-estruturas, conectividade aérea e rodoviária, segurança, qualificação profissional, promoção internacional e estabilidade regulatória.
A participação de Moçambique na Cimeira de Investimento do Fórum Global do Turismo 2026 coloca o país numa montra global de destinos emergentes. Mas o impacto económico dependerá da capacidade de transformar contactos políticos e empresariais em projectos concretos, financiáveis e executáveis.
Ao promover o potencial turístico nacional, captar o interesse da ONU Turismo, envolver investidores dos Emirados Árabes Unidos e atrair grupos empresariais angolanos, Moçambique procura posicionar-se como destino de investimento numa fase em que o turismo africano ganha nova centralidade nas estratégias de diversificação económica do continente.
Fonte: O Económico






