InícioRevistaNacionalNações Unidas apoiaram 516 mil moçambicanos afetados pelas cheias até junho

Nações Unidas apoiaram 516 mil moçambicanos afetados pelas cheias até junho

Mais de 516 mil pessoas afetadas pelas cheias que atingiram o sul e centro de Moçambique desde dezembro receberam assistência humanitária até ao final de junho, mas a resposta continua condicionada pela escassez de financiamento, segundo as Nações Unidas.

“Em meados de dezembro, inundações severas e prolongadas afetaram grandes partes do sul e do centro de Moçambique. Os rios transbordaram, deslocando comunidades e danificando ou destruindo casas, instalações de saúde, sistemas de água e outras infraestruturas críticas”, refere o mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

De acordo com aquela agência das Nações Unidas, as inundações afetaram mais de 724 mil pessoas em várias províncias do país e no auge da emergência, mais de 100 mil pessoas procuraram abrigo em cerca de uma centena de centros de acomodação temporária criados para acolher famílias desalojadas.

Segundo o OCHA, a assistência humanitária alcançou aproximadamente 516 mil pessoas, sendoos setores da segurança alimentar, água e saneamento os que registaram maior cobertura. A ajuda alimentar chegou a 377 mil pessoas, enquanto os programas de água, saneamento e higiene beneficiaram cerca de 284 mil e os projetos de abrigo e distribuição de bens essenciais apoiaram 144 mil pessoas.

A organização humanitária refere ainda que as Nações Unidas e os seus parceiros têm trabalhado em coordenação com as autoridades moçambicanas para apoiar as populações afetadas e reforçar os mecanismos nacionais de resposta a desastres.

“Desde o início da emergência, as Nações Unidas e os parceiros humanitários têm trabalhado em estreita colaboração com as autoridades nacionais e locais para reforçar os sistemas nacionais, fortalecer os mecanismos de coordenação e apoiar a prestação de assistência vital”, refere-se.

Apesar do apoio, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários alerta que a mobilização de recursos continua aquém das necessidades identificadas: aponta ainda que a adenda sobre as cheias do Plano Nacional Humanitário de Resposta a Inundações de 2026 “solicita 187 milhões de dólares [162,2 milhões de euros] para fornecer assistência urgente e vital a aproximadamente 600.000 pessoas afetadas”.

O OCHA continua a indicar que até ao final de junho tinham sido mobilizados apenas 36 milhões de dólares (31,2 milhões de euros), equivalente a cerca de 19% das necessidades financeiras identificadas, e os maiores défices de financiamento registam-se nos setores de segurança alimentar, saúde, educação e água e saneamento, considerados prioritários para a recuperação das comunidades afetadas.

A resposta no terreno envolve 55 organizações implementadoras, incluindo organismos governamentais, organizações não governamentais nacionais e internacionais e agências das Nações Unidas, distribuídas por 38 distritos de oito províncias e entre as principais intervenções destaca-se a distribuição de alimentos, a instalação de sistemas temporários de abastecimento de água, a distribuição de ‘kits’ de higiene e de abrigo, bem como a prestação de cuidados básicos de saúde e serviços de gestão dos centros de reassentamento.

As cheias de 2026 figuram entre as emergências humanitárias mais significativas registadas este ano em Moçambique, com as autoridades e parceiros internacionais a alertarem que muitas famílias continuam a necessitar de apoio para recuperar os seus meios de subsistência e reconstruir as habitações destruídas.

A última época das chuvas (outubro a abril) em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1.078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo atualização anterior do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos.

 

Fonte: Observador

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