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Crise no Oriente Médio penaliza mais as economias em desenvolvimento

Resumo

A crise no Oriente Médio está a abrandar o crescimento económico global, interrompendo a desinflação e aumentando a incerteza entre investidores e consumidores, segundo o relatório da ONU. O impacto da crise energética é desigual, com previsões de abrandamento do crescimento na Ásia Ocidental, África e América Latina. A inflação aumenta nas economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Apesar dos choques iniciais, os mercados financeiros globais mostram-se resilientes. Os EUA antecipam um crescimento de 2%, a China espera uma ligeira baixa e a União Europeia um abrandamento devido à dependência energética. A crise ameaça o desenvolvimento global e a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, destacando a necessidade de ação coordenada e sustentável.

Os impactos da crise no Oriente Médio na economia mundial contribuíram para abrandar o crescimento da economia, a interrupção da tendência de desinflação e o aumento da incerteza entre investidores e consumidores. 

No entanto, as consequências da crise energética são altamente desiguais entre as economias mundiais, indica o relatório Situação e Perspetivas Econômicas Mundiais de 2026. A nova análise foi publicada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Desa. 

Economias em desenvolvimento sob pressão 

O conflito no Oriente Médio veio intensificar as pressões nas economias em desenvolvimento num momento particularmente crítico, sublinha o subsecretário-geral do Desa, Li Junhua. 

Uma refugiada sudanesa usando uma máscara e um lenço conta dinheiro em um balcão durante um programa de assistência em dinheiro do ACNUR no Egito.
Acnur
Conflito no Oriente Médio ameaça reverter progressos no desenvolvimento global

O relatório ilustra efeitos graves da crise na Ásia Ocidental, onde se prevê uma queda do crescimento de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026. O desempenho será impulsionado por interrupções na produção de petróleo, no comércio e no turismo. 

Em África, o crescimento médio deverá abrandar ligeiramente, de 4,2% em 2025 para 3,9% em 2026. Já as economias da América Latina e Caribe seguem em trajetória de baixo crescimento, antevendo-se uma desaceleração de 2,5% em 2025 para 2,3% em 2026. 

Aumento assimétrico da inflação  

O subsecretário-geral adverte que “o aumento dos custos de financiamento e a renovação das pressões sobre os fluxos de capital podem agravar vulnerabilidades da dívida e limitar os recursos disponíveis para o desenvolvimento sustentável” destas economias. 

O relatório prevê um crescimento do PIB global na ordem dos 2,5% em 2026, menos 0,2 pontos percentuais face à projeção de janeiro e bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19. 

Aumento das disparidades na acumulação de capital, competências e inovação contribui para um desempenho cada vez mais desigual entre as diversas regiões
ONU News
Aumento das disparidades na acumulação de capital, competências e inovação contribui para um desempenho cada vez mais desigual entre as diversas regiões

O conflito também interrompeu a tendência global de desinflação em curso desde 2023. Nas economias desenvolvidas, prevê-se um aumento da inflação de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026. Já nas economias em desenvolvimento, este crescimento é mais acentuado, de 4,2% para 5,2%. 

Economias desenvolvidas são mais resilientes  

Apesar dos impactos assimétricos da crise, os mercados financeiros globais demonstraram-se resilientes, absorvendo os seus choques iniciais “de forma ordeira”, conclui o relatório. 

Os mercados de trabalho fortes, a procura estável dos consumidores e a atividade econômica impulsionada pela inteligência artificial deverão apoiar as economias mais resilientes no curto prazo. 

O relatório antecipa alta econômica dos Estados Unidos em 2% em 2026, orientada por uma procura interna sólida e investimento nas novas tecnologias. Na China, prevê-se uma ligeira baixa de 5% em 2025 para 4,6% em 2026, amortecida pelas reservas e pelas políticas públicas de apoio. 

Por sua vez, o crescimento da União Europeia deverá abrandar de 1,5% em 2025 para 1,1% em 2026, um reflexo da dependência de energia importada entre os seus 27 Estados-membros. 

Crise ameaça desenvolvimento coletivo  

O conflito no Oriente Médio ameaça reverter progressos no desenvolvimento global e travar ainda mais a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas. 

Já o aumento das disparidades na acumulação de capital, competências e inovação contribui para um desempenho cada vez mais desigual entre as diversas regiões do mundo, destaca o Desa. 

Para a superação destes desafios, o departamento reitera a necessidade de uma ação coordenada e sustentável. Esta atuação deve incluir a garantia do livre comércio, a expansão do financiamento concessional e o apoio à transformação estrutural das economias menos desenvolvidas. 

 

Fonte: ONU

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