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Do inferno (quase) ao topo do mundo num instante

Resumo

O artigo aborda a história da independência da Croácia e a participação da seleção croata no Mundial de 1998. Após anos de guerra contra as forças jugoslavas e sérvias, a Croácia conquistou a independência e entrou no cenário futebolístico internacional. A equipa, liderada por jogadores como Davor Suker, Robert Prosinecki e Slaven Bilic, destacou-se no Euro 96 e no Mundial de 1998, onde chegou aos quartos de final, sendo eliminada pela Alemanha. A seleção croata encantou não só pelo seu futebol, mas também pelo design das camisolas, inspirado no brasão do país e no padrão axadrezado, tornando-se um símbolo nacional. O equipamento alternativo, com as cores da bandeira croata e o padrão axadrezado, tornou-se especialmente icónico.

O Mundial de 1998 marca presença nesta rubrica mais do que uma vez. Hoje é dia de falar de um país que há 40 anos não o era.

A história da independência da Croácia é uma história de conflito, lágrimas e muito, muito sangue. O país só a conseguiu após mais de quatro longos anos de guerra contra as forças jugoslavas e sérvias, que culminaram na Operacija Oluja (Operação Tempestade em português), que definiu a quase totalidade das fronteiras atuais daquela república.

No entanto, ainda antes do final da guerra, a Croácia já disputava jogos oficiais. A seleção axadrezada foi admitida na FIFA em 1992 e na UEFA no ano seguinte. Não foi a tempo da qualificação para o Mundial de 1994, mas entrou no apuramento para o Euro 96 ainda as bombas explodiam nas zonas orientais do país.

Sempre que se avizinham grande competições, surgem na internet convocatórias de uma hipotética seleção jugoslava, que estaria sempre entre as mais fortes do mundo. Quem não gostaria de ter juntado Jan Oblak, Luka Modric e Edin Dzeko nos seus picos? Pois bem, em meados dos anos 90, a seleção croata não precisava dessas brincadeiras para ser uma seleção de topo. Davor Suker, Robert Prosinecki, Slaven Bilic, Zvonimir Boban, Robert Jarni e um muito jovem Dario Simic lideravam uma verdadeira geração de ouro que dificilmente poderia ter começado melhor nos palcos internacionais. Os croatas apuraram-se para o Euro 96 em primeiro no seu grupo de qualificação, que partilhavam com Itália. Suker foi o melhor marcador dessa fase de apuramento. As expectativas para Inglaterra eram altas e pode dizer-se, em certa medida, que foram cumpridas.

A Croácia ficou no grupo D com Portugal, Dinamarca e Turquia. Dois triunfos nos dois primeiros jogos, antes de uma derrota por 0-3 contra a Seleção das Quinas, apuraram a equipa para os quartos de final. Nessa fase, apenas foram eliminados pela eventual campeã, a Alemanha, num jogo bem disputado em Old Trafford.

A equipa croata encantou não só pelo seu futebol, como também pela indumentária. Hoje em dia já estamos habituados ao padrão axadrezado vermelho e branco, mas há 30 anos era uma novidade. O equipamento foi concebido por Miroslav Sutej, o mesmo que desenhou a bandeira nacional e as notas da kuna, moeda do país até à introdução do Euro, e estreado em 1990 frente aos EUA num amigável não oficial disputado ainda a guerra não tinha começado. O design é inteiramente inspirado no brasão do país e torna as camisolas da Croácia instataneamente reconhecíveis.

Os croatas apresentaram-se no Mundial de 1998, em França, com dois equipamentos sublimes da Lotto. Enquanto o agora tradicional equipamento principal é o que a maioria associa àquela equipa, é a alternativa que capta mais a atenção, pois consegue incluir as três cores principais da bandeira sem esquecer o padrão axadrezado, chamado pelos croatas de šahovnica. Com os anos, a camisola tornou-se um dos principais símbolos nacionais, espelhando a história e o orgulho de uma nação que teve de pegar em armas para se erguer.

Se o Euro de Inglaterra correu bem, o primeiro Mundial de sempre dos croatas correu ainda melhor. Após uma fase de grupos tranquila, com vitórias sobre Jamaica e Japão, a equipa superou a Roménia nos oitavos de final e marcou duelo contra a Alemanha, a disputar em Lyon. A tristeza de 1996 deu lugar à euforia dois anos volvidos após a Croácia dominar a Mannschaft e vencer por 3-0.

A meia-final contra os anfitriões adivinhava-se difícil. Suker chegou a adiantar os croatas, mas apenas durante um minuto. A França deu a volta com dois golos de Lilian Thuram, os únicos dois que o lateral marcou em 142 jogos pelos Bleus. Suker terminou a prova como melhor marcador e a Bola de Prata, mas não foi suficiente.

O terceiro lugar no Mundial de 1998 parecia quase um sonho para um país ainda em reconstrução, que tinha na sua seleção nacional uma fonte de inspiração. Esse resultado, que se previa difícil de repetir, foi melhorado em 2018 e igualado em 2022 pela segunda geração de ouro do futebol croata com Modric, Ivan Perisic, Mario Mandzukic, Marcelo Brozovic, Ivan Rakitic, entre outros. Os croatas continuam, contudo, em busca do primeiro grande título da sua história.

Fonte: CNN Portugal


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